FATOS SOBRE  ISRAEL

 

 

 

 

MINIST√ČRIO DAS RELA√á√ēES EXTERIORES DE ISRAEL 

Coordenado por: Quality Translations (QT) 

Design gr√°fico: Tsofit Tsachi 

Impresso por: Impressora do Governo de Israel 

Estat√≠sticas: Escrit√≥rio Central de Estat√≠stica (exceto quando especificado)  Jerusal√©m, Israel 2010 

√Č poss√≠vel obter c√≥pias nas miss√Ķes diplom√°ticas de Israel ou na Internet: www.mfa.gov.il

 

 

 

HIST√ďRIA 

A Terra de Israel (Eretz Yisrael) √© o ber√ßo do povo judeu. Uma parte importante da longa  hist√≥ria do pa√≠s se passou l√°, com dois mil anos sendo registrados na B√≠blia; l√°, sua identidade  cultural, religiosa e nacional foi formada, e sua presen√ßa f√≠sica foi mantida atrav√©s dos s√©culos,  mesmo ap√≥s a maioria do povo ter sido exilada. Durante o longo per√≠odo de dispers√£o, o povo  judeu nunca cortou nem esqueceu sua conex√£o com a Terra. Ap√≥s o estabelecimento do  Estado de Israel em 1948, a independ√™ncia judaica, perdida dois mil anos antes, foi renovada. 

Lembra-te dos dias da antiguidade, atenta para os anos, gera√ß√£o por gera√ß√£o... (Deuteron√īmio  32:7)

 

 

 

 

 

 

TEMPOS B√ćBLICOS 

Mois√©s, de Michelangelo • San Pietro em Vincoli, Roma 

Patriarcas 

A hist√≥ria judaica come√ßou h√° cerca de quatro mil anos (cerca do s√©culo XVII AEC) com os  patriarcas: Abra√£o, seu filho Isaac e seu neto Jac√≥. Documentos encontrados na Mesopot√Ęmia,  datados de 2000 a 1500 AEC, confirmam aspectos de sua vida n√īmade, tal como descrito na  B√≠blia. O livro do G√™nesis relata que Abra√£o foi chamado de Ur dos Caldeus para Cana√£, para  formar um povo com a cren√ßa no Deus √önico. Quando a terra de Cana√£ foi assolada pela fome,  Jac√≥ (Israel), seus 12 filhos e suas fam√≠lias foram para o Egito, onde seus descendentes foram  escravizados. 

√äxodo e assentamento 

Depois de 400 anos de escravid√£o, os israelitas foram libertados por Mois√©s, que, segundo a  narrativa b√≠blica, foi escolhido por Deus para tirar seu povo do Egito e lev√°-los novamente √†  Terra de Israel, prometida a seus antepassados (cerca dos s√©culos XIII e XII AEC). Durante 40  anos, eles percorreram o deserto do Sinai, onde formaram uma na√ß√£o e receberam a Tor√° 

(Pentateuco), que inclu√≠a os Dez Mandamentos e deu forma e conte√ļdo √† sua f√© monote√≠sta. O  √™xodo do Egito (cerca de 1300 AEC) deixou uma marca indel√©vel na mem√≥ria nacional do povo  judeu e tornou-se um s√≠mbolo universal de liberdade e independ√™ncia. Todo ano, os judeus  celebram a Pessach (P√°scoa), o Shavuot (Pentecostes) e o Sucot (Festa dos Tabern√°culos),  relembrando os eventos ocorridos naquela √©poca. 

Durante os dois s√©culos seguintes, os israelitas conquistaram a maior parte da Terra de Israel e  tornaram-se agricultores e artes√£os; em seguida, veio a consolida√ß√£o econ√īmica e social.  Durante per√≠odos alternados de paz e guerra, o povo se uniu, representado por l√≠deres  conhecidos como ju√≠zes, escolhidos por suas capacidades pol√≠ticas, militares e de lideran√ßa. A  fraqueza inerente a essa organiza√ß√£o tribal diante da amea√ßa representada pelos filisteus  (povo mar√≠timo da √Āsia Menor estabelecido na costa do Mediterr√Ęneo) gerou a necessidade de  um governante permanente para unir as tribos, com sucess√£o por heran√ßa. 

 "O Senhor te aben√ßoe e te guarde; o Senhor fa√ßa resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha  miseric√≥rdia de ti; o Senhor levante o seu rosto sobre ti e te d√™ a paz." (N√ļmeros 6:24-26) 

 

Museu de Israel, em Jerusal√©m  

Profetas: S√°bios religiosos e figuras carism√°ticas, que o povo considerava dotados de um dom  divino de revela√ß√£o; pregaram durante o per√≠odo da monarquia at√© um s√©culo ap√≥s a  destrui√ß√£o de Jerusal√©m (586 AEC). Seja como conselheiros dos reis sobre religi√£o, √©tica e  pol√≠tica, ou como seus cr√≠ticos de acordo com a prioridade da rela√ß√£o entre o indiv√≠duo e Deus,  os profetas eram guiados pela necessidade de justi√ßa e emitiam poderosos coment√°rios sobre  a moralidade da vida nacional judaica. Suas revela√ß√Ķes est√£o registradas em livros de prosa e  poesia inspiradas, dos quais muitos foram incorporados √† B√≠blia.

O apelo universal e eterno dos profetas resulta de sua procura por uma an√°lise fundamental  dos valores humanos. Palavras como as de Isa√≠as (1:17) (aprender a fazer o bem, dedicar-se √†  justi√ßa; ajudar o injusti√ßado, defender os direitos dos √≥rf√£os; defender a causa da vi√ļva)  continuam a alimentar a necessidade da humanidade por justi√ßa social. 

Monarquia 

O primeiro rei, Saul (cerca de 1020 AEC), governou durante o per√≠odo entre a organiza√ß√£o  tribal e o estabelecimento de uma monarquia plena com seu sucessor, Davi. 

O rei Davi (cerca de 1004 a 965 AEC) estabeleceu seu reino como uma grande pot√™ncia na  regi√£o atrav√©s de expedi√ß√Ķes militares bem sucedidas, incluindo a derrota final dos filisteus, e  atrav√©s de uma rede de alian√ßas amistosas com reinos vizinhos. Consequentemente, sua  autoridade era reconhecida desde as fronteiras do Egito e do Mar Vermelho at√© as margens do  Eufrates. Em sua terra natal, ele uniu as 12 tribos israelitas em um s√≥ reino e estabeleceu sua  capital, Jerusal√©m, e a monarquia no centro da vida nacional do pa√≠s. A tradi√ß√£o b√≠blica  descreve Davi como poeta e m√ļsico, com versos atribu√≠dos a ele inclu√≠dos no Livro dos Salmos. 

Davi foi sucedido por seu filho Salom√£o (cerca de 965 a 930 AEC), que fortaleceu o reino.  Atrav√©s de tratados com os reis vizinhos, refor√ßados por casamentos pol√≠ticos, Salom√£o  garantiu a paz para seu reino, igualando-o √†s grandes pot√™ncias da √©poca. Ele expandiu o  com√©rcio exterior e promoveu a prosperidade nacional, desenvolvendo grandes  empreendimentos, tais como a minera√ß√£o do cobre e a fundi√ß√£o de metais; enquanto isso,  constru√≠a novas vilas e fortalecia as vilas antigas, de import√Ęncia estrat√©gica e econ√īmica. O  auge de suas realiza√ß√Ķes foi a constru√ß√£o do Templo em Jerusal√©m, que se tornou o centro da  vida nacional e religiosa do povo judeu. A B√≠blia atribui a Salom√£o o Livro dos Prov√©rbios e o  C√Ęntico dos C√Ęnticos. 

Monarquia dividida 

O fim do reinado de Salom√£o foi marcado por descontentamento por parte da popula√ß√£o, que  teve que pagar muito por seus ambiciosos planos. Ao mesmo tempo, o tratamento  preferencial a sua pr√≥pria tribo irritava as outras, resultando em um crescente antagonismo  entre a monarquia e os separatistas tribais. Ap√≥s a morte de Salom√£o (930 AEC), uma  insurrei√ß√£o aberta levou ao rompimento das dez tribos do norte e √† divis√£o do pa√≠s em um  reino do norte, Israel, e um reino do sul, Jud√° — este √ļltimo no territ√≥rio das tribos de Jud√° e  Benjamin. 

O Reino de Israel, com sua capital Samaria, durou mais de 200 anos com 19 reis, enquanto o  Reino de Jud√° foi governado a partir de Jerusal√©m durante 400 anos pelo mesmo n√ļmero de  reis, da linhagem de Davi. A expans√£o dos imp√©rios ass√≠rio e babil√īnio causou a domina√ß√£o de  Israel e, depois, de Jud√°. O Reino de Israel foi destru√≠do pelos ass√≠rios (722 AEC) e seu povo foi  levado ao ex√≠lio e ao esquecimento. Mais de cem anos depois, a Babil√īnia conquistou o Reino  de Jud√°, exilando a maioria de seus habitantes e destruindo Jerusal√©m e o Templo (586 AEC). 

 

Primeiro exílio (586 a 538 AEC)

 

A conquista da Babil√īnia p√īs fim ao per√≠odo do Primeiro Templo, mas n√£o cortou a conex√£o do  povo judeu √† Terra de Israel. √Äs margens dos rios da Babil√īnia, os judeus se comprometeram a  recordarem sua p√°tria: Se eu me esquecer de ti, √≥ Jerusal√©m, esque√ßa-se minha m√£o direita de 

sua destreza. Apegue-se-me a l√≠ngua ao c√©u da boca, se n√£o me lembrar de ti, se eu n√£o  preferir Jerusal√©m √† minha maior alegria (Salmos 137:5-6). 

O ex√≠lio na Babil√īnia, que se seguiu √† destrui√ß√£o do Primeiro Templo (586 AEC), marcou o  in√≠cio da di√°spora judaica. L√°, o juda√≠smo come√ßou a desenvolver uma estrutura religiosa e um  modo de vida fora da Terra, para assegurar a sobreviv√™ncia nacional do povo e sua identidade  espiritual, imbuindo-a com a vitalidade necess√°ria para preservar seu futuro como na√ß√£o. 

Nos rios da Babil√īnia, por E.M. Lilien

 

 

PER√ćODO DO SEGUNDO TEMPO: O RETORNO A SI√ÉO 

Assuero-Xerxes, um dos grandes reis persas, retratado em relevo nas paredes de um pal√°cio  em Pers√©polis 

Per√≠odos persa e helen√≠stico (538 a 142 AEC) 

Ap√≥s um decreto do rei persa Ciro, conquistador do imp√©rio babil√īnico (538 AEC), cerca de  cinquenta mil judeus partiram pela primeira vez em dire√ß√£o √† Terra de Israel, liderados por  Zorobabel, descendente da Casa de Davi. Menos de um s√©culo depois, o segundo retorno foi  liderado por Esdras, o Escriba. Nos pr√≥ximos quatro s√©culos, os judeus tiveram diferentes  graus de autonomia sob governos persas (538 a 333 AEC) e helen√≠sticos (ptolemaico e  sel√™ucida) (332 a 142 AEC). 

A repatria√ß√£o dos judeus sob a inspirada lideran√ßa de Esdras, a constru√ß√£o do Segundo Templo  no local do Primeiro Templo, a fortifica√ß√£o das muralhas de Jerusal√©m, e o estabelecimento da  Knesset Hagedolah (Grande Assembleia), o supremo √≥rg√£o religioso e judicial do povo judeu,  marcaram o in√≠cio do per√≠odo do Segundo Templo. Dentro dos limites do Imp√©rio Persa, Jud√°  era uma na√ß√£o liderada pelo sumo sacerdote e conselho de anci√£os em Jerusal√©m. 

Como parte do mundo antigo conquistado por Alexandre, o Grande, da Gr√©cia (332 AEC), a  Terra continuou a ser uma teocracia judaica, sob o dom√≠nio dos sel√™ucidas, baseado nos s√≠rios.  Quando a pr√°tica do juda√≠smo foi proibida e seu Templo foi profanado, durante a imposi√ß√£o da  cultura e costumes gregos a toda a popula√ß√£o, os judeus se rebelaram (166 AEC). 

Dinastia dos Asmoneus (142 a 63 AEC) 

Primeiramente liderados por Matatias, da fam√≠lia sacerdotal dos Asmoneus, e depois por seu  filho Jud√°, o Macabeu, os judeus entraram em Jerusal√©m e purificaram o Templo (164 AEC). Os  dois eventos s√£o comemorados todo ano pelo festival de Hanuc√°. 

Ap√≥s outras vit√≥rias dos Asmoneus (147 AEC), os sel√™ucidas restauraram a autonomia da  Judeia, como a Terra de Israel era ent√£o chamada, e, com o colapso do reino sel√™ucida (129  AEC), a independ√™ncia judaica foi alcan√ßada. Durante a dinastia dos Asmoneus, que durou  aproximadamente 80 anos, o reino recuperou fronteiras quase iguais √†s do reino de Salom√£o,  alcan√ßou a consolida√ß√£o pol√≠tica sob o governo judeu e a vida judaica floresceu. 

Massada: Cerca de mil homens, mulheres e crian√ßas judias, que tinham sobrevivido √†  destrui√ß√£o de Jerusal√©m, ocuparam e fortificaram o pal√°cio de Massada, do rei Herodes, no  topo de uma montanha na regi√£o do Mar Morto, onde resistiram durante tr√™s anos a diversas  tentativas romanas de desaloj√°-los. Quando os romanos finalmente escalaram Massada e  derrubaram suas paredes, eles descobriram que os defensores e suas fam√≠lias haviam  escolhido morrer por suas pr√≥prias m√£os, em vez de serem escravizados. 

Menor√° no Arco de Tito, em Roma 

História da menorá

A Menor√° de Ouro (um candelabro de sete bra√ßos), era um importante objeto de rituais no  templo do rei Salom√£o, na antiga Jerusal√©m. Atrav√©s dos tempos, tem simbolizado a heran√ßa e  tradi√ß√£o judaicas em in√ļmeros locais e formas. 

Menor√° em uma moeda dos Asmoneus, do s√©culo I AEC 

(Patrim√īnio Hist√≥rico de Israel) 

Menor√° em dois fragmentos de gesso do s√©culo I EC, encontrada no Bairro Judeu de Jerusal√©m  (Sociedade de Explora√ß√£o de Israel) 

Menor√° no piso de mosaico de uma sinagoga do s√©culo V ou VI , em Jeric√≥  (Patrim√īnio Hist√≥rico de Israel) 

Menor√° perto do Knesset, por Benno Elkan 

(Sala de Imprensa do Governo (S.I.G.) / F. Cohen) 

Halach√° √© o √≥rg√£o de direito que orienta a vida judaica em todo o mundo desde os tempos  p√≥s-b√≠blicos. Ele descreve as obriga√ß√Ķes religiosas dos judeus, tanto nas rela√ß√Ķes interpessoais  quanto nos rituais, e engloba praticamente todos os aspectos do comportamento humano —  nascimento e casamento, alegria e tristeza, agricultura e com√©rcio, √©tica e teologia. Baseada  na B√≠blia, a autoridade do halach√° √© fundada no Talmude, um corpo de leis e conhecimentos  populares judaicos (conclu√≠do em cerca de 400), que incorpora a Misn√°, primeira compila√ß√£o  escrita da Lei Oral (codificada em cerca de 210), e o Gemara, uma continua√ß√£o da Misn√°. Para  fornecer orienta√ß√Ķes pr√°ticas para o Halach√°, resumos concisos e sistem√°ticos foram escritos  por estudiosos de religi√£o a partir dos s√©culos I e II. Dentre as codifica√ß√Ķes de maior  credibilidade est√° o Shulchan Aruch, escrito por Joseph Caro em Safed (Tzfat), no s√©culo XVI. 

Dom√≠nio romano (63 AEC a 313 EC) 

Quando os romanos substitu√≠ram os sel√™ucidas, passando a ser a grande pot√™ncia da regi√£o,  eles concederam ao rei Asmoneu Hircano II uma autoridade limitada, subordinado ao  governador romano de Damasco. Os judeus reagiram com hostilidade ao novo regime, e nos  anos seguintes houve diversas insurrei√ß√Ķes. Matatias Ant√≠gono fez uma √ļltima tentativa de  restaurar a antiga gl√≥ria da dinastia dos Asmoneus; sua derrota e morte finalizou o governo  dos Asmoneus (40 AEC), e a Terra tornou-se uma prov√≠ncia do Imp√©rio Romano. 

Em 37 AEC, Herodes, genro de Hircano II, foi nomeado rei da Jud√©ia pelos romanos. Com  autonomia quase ilimitada sobre assuntos internos do pa√≠s, ele tornou-se um dos mais  poderosos monarcas no Imp√©rio Romano oriental. Grande admirador da cultura greco romana, Herodes lan√ßou um enorme programa de constru√ß√Ķes, que inclu√≠a as cidades de  Cesareia e Sebaste e as fortalezas em Her√≥dio e Massada. Ele tamb√©m reformou o Templo,  tornando-o uma das mais magn√≠ficas constru√ß√Ķes da √©poca. Mas apesar de suas realiza√ß√Ķes,  Herodes n√£o conseguiu ganhar a confian√ßa e o apoio de seus s√ļditos judeus. 

Dez anos ap√≥s a morte de Herodes (4 AEC), a Judeia passou a ser governada diretamente pelos  romanos. A opress√£o romana da vida judaica causou uma insatisfa√ß√£o crescente, resultando

em epis√≥dios violentos espor√°dicos que se transformaram em uma grande revolta em 66 EC.  For√ßas superiores romanas, lideradas por Tito, acabaram vitoriosas, arrasando Jerusal√©m  totalmente (70 EC) e derrotando at√© a √ļltima fortaleza judia em Massada (73 EC). 

A total destrui√ß√£o de Jerusal√©m e do Segundo Templo foi catastr√≥fica para o povo judeu. De  acordo com o historiador contempor√Ęneo Fl√°vio Josefo, centenas de milhares de judeus  faleceram durante a tomada de Jerusal√©m e no restante do pa√≠s, e outros milhares foram  vendidos como escravos. 

Houve um √ļltimo e breve per√≠odo de soberania judaica ap√≥s a revolta de Shimon Bar Kochba  (132 EC), durante o qual Jerusal√©m e a Judeia foram reconquistadas. No entanto, dado o  enorme poder dos romanos, o resultado era inevit√°vel. Tr√™s anos depois, de acordo com os  costumes romanos, Jerusal√©m foi "arada com uma junta de bois"; a Judeia foi renomeada  Palestina e Jerusal√©m, Aelia Capitolina. 

Embora o templo tivesse sido destru√≠do e Jerusal√©m totalmente queimada, os judeus e o  juda√≠smo sobreviveram ao encontro com Roma. O √≥rg√£o legislativo e judici√°rio supremo, o  Sin√©drio (sucessor da Knesset Hagedolah) foi reunido em Yavneh (70 EC) e, mais tarde, em  Tiber√≠ades. Sem a estrutura unificadora do Estado e do Templo, a pequena comunidade  judaica restante se recuperou gradualmente, ocasionalmente fortalecida pela volta de grupos  exilados. A vida institucional e comunal foi renovada, os sacerdotes foram substitu√≠dos por  rabinos e a sinagoga tornou-se o foco das comunidades judaicas, como exemplificado pelos  restos de sinagogas em Capernaum, Korazin, Bar’am, Gamla, etc. O Halach√° (a lei religiosa  judaica) serviu como elo comum entre os judeus e foi passado de gera√ß√£o a gera√ß√£o.

 

 

DOMINA√á√ÉO EXTERNA 

Dom√≠nio bizantino (313 a 636) 

Ao final do s√©culo IV, ap√≥s o Imperador Constantino adotar o cristianismo (313) e a funda√ß√£o  do Imp√©rio Bizantino, a Terra de Israel havia se tornado um pa√≠s predominantemente crist√£o.  Igrejas foram constru√≠das em locais sagrados crist√£os em Jerusal√©m, Bel√©m e Galileia, e  fundaram-se mosteiros em muitas regi√Ķes do pa√≠s. Os judeus foram privados da autonomia  relativa que tinham anteriormente, do direito de ocupar cargos p√ļblicos, e foram proibidos de  entrar em Jerusal√©m, exceto em um dia do ano (Tisha B'Av — nove de Av) para lamentar a  destrui√ß√£o do Templo . 

A invas√£o persa de 614 foi auxiliada pelos judeus, inspirados pela esperan√ßa messi√Ęnica da  liberta√ß√£o. Em troca de sua ajuda, eles receberam o governo de Jerusal√©m; esse per√≠odo durou  aproximadamente tr√™s anos. Subsequentemente, o ex√©rcito bizantino recuperou o dom√≠nio da  cidade (629) e mais uma vez expulsou seus habitantes judeus. 

Dom√≠nio √°rabe (636 a 1099) 

A conquista da Terra pelos √°rabes ocorreu quatro anos ap√≥s a morte de Maom√© (632) e durou  mais de quatro s√©culos, com califas governando primeiro a partir de Damasco, depois de  Bagd√° e do Egito. No in√≠cio, a coloniza√ß√£o judaica em Jerusal√©m foi retomada, e a comunidade  judaica recebeu o status de dhimmi (n√£o mu√ßulmanos protegidos), o que lhes garantia a vida,  propriedade e liberdade de culto, em troca do pagamento de taxas e impostos territoriais  especiais. 

No entanto, logo restri√ß√Ķes contra n√£o mu√ßulmanos (717) afetaram a conduta p√ļblica dos  judeus, assim como suas pr√°ticas religiosas e seu status legal. A imposi√ß√£o de pesados  impostos sobre terras agr√≠colas fez com que muitos se mudassem de √°reas rurais para as  cidades, onde sua situa√ß√£o melhorou pouco; enquanto isso, o aumento da discrimina√ß√£o social  e econ√īmica for√ßou muitos outros a deixar o pa√≠s. Ao final do s√©culo XI, a comunidade judaica  na Terra tinha diminu√≠do consideravelmente, tendo perdido parte de sua coes√£o  organizacional e religiosa. 

Cruzados (1099 a 1291) 

Durante os 200 anos seguintes, o pa√≠s foi dominado pelos cruzados, que, atendendo a um  apelo do Papa Urbano II, vieram da Europa para recuperar a Terra Santa dos infi√©is. Em julho  de 1099, ap√≥s um cerco de cinco semanas, os cavaleiros da Primeira Cruzada e seu ex√©rcito de  plebeus capturaram Jerusal√©m, massacrando a maioria dos habitantes n√£o crist√£os da cidade.  Presos em suas sinagogas, os judeus defenderam sua regi√£o, mas foram queimados vivos ou  vendidos como escravos. Durante as d√©cadas seguintes, os cruzados ampliaram seu poder  sobre o restante do pa√≠s, em parte por meio de tratados e acordos, mas principalmente  atrav√©s de sangrentas conquistas militares. O Reino Latino dos Cruzados constitu√≠a-se de uma  minoria conquistadora, confinada em cidades e castelos fortificados. 

Quando os cruzados abriram as rotas de transporte a partir da Europa, a peregrina√ß√£o √† Terra  Santa tornou-se popular e, ao mesmo tempo, um n√ļmero cada vez maior de judeus procurava

retornar √† sua terra natal. Documentos da √©poca indicam que 300 rabinos da Fran√ßa e da  Inglaterra chegaram em um grupo, instalando-se em Acre (Akko), outros em Jerusal√©m. 

Ap√≥s a derrota dos cruzados pelo ex√©rcito mu√ßulmano de Saladino (1187), os judeus ganharam  novamente certa liberdade, incluindo o direito de viver em Jerusal√©m. Embora os cruzados  tenham conseguido uma presen√ßa no pa√≠s ap√≥s a morte de Saladino (1193), sua presen√ßa  limitava-se a uma rede de castelos fortificados. 

A autoridade dos cruzados na Terra terminou ap√≥s uma derrota final (1291) pelos mamelucos,  uma casta militar mu√ßulmana que conquistara o poder no Egito. 

Dom√≠nio mameluco (1291 a 1516) 

Sob o dom√≠nio dos mamelucos, a Terra tornou-se apenas uma prov√≠ncia, governada a partir de  Damasco. Acre, Jaffa, e outros portos foram destru√≠dos por receio de novas cruzadas, e o  com√©rcio mar√≠timo e terrestre foi interrompido. Ao final da Idade M√©dia, as cidades do pa√≠s  estavam praticamente em ru√≠nas, a maior parte de Jerusal√©m estava abandonada, e a pequena  comunidade judaica vivia na mis√©ria. O decl√≠nio do dom√≠nio mameluco foi marcado por  revoltas pol√≠ticas e econ√īmicas, pragas, gafanhotos, e terremotos devastadores. 

Dom√≠nio otomano (1517 a 1917) 

Ap√≥s a conquista otomana, em 1517, o pa√≠s foi dividido em quatro distritos, ligados  administrativamente √† prov√≠ncia de Damasco e governados de Istambul. No in√≠cio da era  otomana, aproximadamente mil fam√≠lias judias viviam no pa√≠s, principalmente em Jerusal√©m,  Nablus (Siqu√©m), Hebron, Gaza, Safed (Tzfat) e nas aldeias da Galileia. A comunidade era  constitu√≠da por descendentes de judeus que sempre viveram na Terra, assim como imigrantes  do norte da √Āfrica e da Europa. 

Um governo eficiente, at√© a morte (em 1566) do sult√£o Suleiman, o Magn√≠fico, trouxe  melhorias e estimulou a imigra√ß√£o judaica. Alguns rec√©m-chegados se estabeleceram em  Jerusal√©m, mas a maioria foi para Safed, onde, em meados do s√©culo 16, a popula√ß√£o judaica  havia aumentado para aproximadamente dez mil, e a cidade tornou-se um pr√≥spero centro  t√™xtil e um foco de intensa atividade intelectual. 

Durante esse per√≠odo, o estudo da Cabala (misticismo judaico) floresceu e esclarecimentos da  lei judaica, codificados no Shulchan Aruch, foram disseminados por toda a Di√°spora a partir das  casas de estudo de Safed. 

Com um decl√≠nio gradual na qualidade do dom√≠nio otomano, o pa√≠s todo muito negligenciado.  Ao final do s√©culo XVIII, grande parte da Terra pertencia a propriet√°rios ausentes, sendo  arrendadas a agricultores empobrecidos, e a tributa√ß√£o era alt√≠ssima e arbitr√°ria. As grandes  florestas da Galileia e do monte Carmel foram desmatadas; p√Ęntanos e desertos invadiam as  terras agr√≠colas. 

O sionismo, o movimento de liberta√ß√£o nacional do povo judeu, recebeu este nome a partir da  palavra "Si√£o", sin√īnimo tradicional de Jerusal√©m e da Terra de Israel. A ideia do sionismo — a  reden√ß√£o do povo judeu em sua p√°tria ancestral — est√° enraizado na cont√≠nua saudade e

profunda liga√ß√£o √† Terra de Israel, que √© uma parte inerente da exist√™ncia judaica na Di√°spora  atrav√©s dos s√©culos. 

O sionismo pol√≠tico surgiu em resposta √† cont√≠nua opress√£o e persegui√ß√£o de judeus na Europa  Oriental e √† desilus√£o com a emancipa√ß√£o na Europa Ocidental, que n√£o pusera fim √†  discrimina√ß√£o nem levara √† integra√ß√£o dos judeus nas sociedades locais. Sua express√£o foi  formalizada no estabelecimento da Organiza√ß√£o Sionista (1897), durante o Primeiro Congresso  Sionista, reunido por Theodor Herzl em Basileia, Su√≠√ßa. O programa do movimento sionista  continha elementos ideol√≥gicos e pr√°ticos para o incentivo do retorno dos judeus √† Terra,  facilitando o renascimento social, cultural, econ√īmico e pol√≠tico da vida nacional judaica e  procurando tamb√©m alcan√ßar um lar reconhecido internacionalmente e legalmente garantido  para o povo judeu em sua p√°tria hist√≥rica, onde n√£o fossem perseguidos e pudessem  desenvolver suas pr√≥prias vidas e identidade. 

Tempos modernos 

Durante o s√©culo XIX, o atraso medieval foi aos poucos substitu√≠do pelos primeiros sinais de  progresso, com v√°rias pot√™ncias ocidentais procurando uma posi√ß√£o dominante, muitas vezes  atrav√©s de atividades mission√°rias. Estudiosos brit√Ęnicos, franceses e americanos iniciaram  estudos de arqueologia b√≠blica; a Gr√£-Bretanha, a Fran√ßa, a R√ļssia, a √Āustria e os Estados  Unidos abriram consulados em Jerusal√©m. Navios a vapor passaram a ter rotas constantes de e  para a Europa; conex√Ķes postais e telegr√°ficas foram instaladas; a primeira estrada ligando  Jerusal√©m a Jaffa foi constru√≠da. O renascimento do pa√≠s como ponto de encontro comercial de  tr√™s continentes foi acelerado pela abertura do Canal de Suez. 

Consequentemente, a situa√ß√£o dos judeus do pa√≠s foi melhorando, e seu n√ļmero aumentou  substancialmente. Na metade do s√©culo, a superpopula√ß√£o no interior das muralhas de  Jerusal√©m levou os judeus a constru√≠rem o primeiro bairro fora das muralhas (1860), e, nos  vinte e cinco anos seguintes, adicionaram mais sete, formando o n√ļcleo da nova cidade. Em  1870, Jerusal√©m tinha uma maioria absoluta judia. Terras para a agricultura foram compradas  em todo o pa√≠s; novos assentamentos rurais foram estabelecidos; a l√≠ngua hebraica, h√° muito  restrita √† liturgia e √† literatura, foi reavivada. Era o est√°gio ideal para o in√≠cio do movimento  sionista. 

Inspirados pela ideologia sionista, dois grandes fluxos de judeus da Europa Oriental chegaram  ao pa√≠s no final do s√©culo XIX e in√≠cio do s√©culo XX. Determinados a restaurar sua p√°tria pelo  cultivo do solo, esses pioneiros recuperaram campos est√©reis, constru√≠ram novos  assentamentos e formaram a base para o que se tornaria uma pr√≥spera economia agr√≠cola. 

Os rec√©m-chegados enfrentaram condi√ß√Ķes extremamente dif√≠ceis: a postura da administra√ß√£o  otomana era hostil e opressiva; comunica√ß√Ķes e transporte eram rudimentares e pouco  seguros; nos p√Ęntanos havia a mortal mal√°ria; e o solo sofrera s√©culos de neglig√™ncia. A  aquisi√ß√£o de terras era restrita, e a constru√ß√£o foi proibida sem uma licen√ßa especial, que s√≥  podia ser obtida em Istambul. Embora essas dificuldades tenham dificultado o  desenvolvimento do pa√≠s, n√£o o impediram. Com o in√≠cio da I Guerra Mundial (1914), a  popula√ß√£o judaica na Terra era de 85.000, em compara√ß√£o com os 5.000 do in√≠cio do s√©culo  XVI.

Em dezembro de 1917, for√ßas brit√Ęnicas, sob o comando do General Allenby, invadiram  Jerusal√©m, terminando 400 anos de dom√≠nio otomano. A Legi√£o Judaica, com tr√™s batalh√Ķes  formados por milhares de volunt√°rios judeus, era uma unidade essencial do ex√©rcito brit√Ęnico. 

Dom√≠nio brit√Ęnico (1918 a 1948) 

Em julho de 1922, a Liga das Na√ß√Ķes concedeu √† Gr√£-Bretanha o Mandato sobre a Palestina  (nome pelo qual o pa√≠s era ent√£o conhecido). Reconhecendo a liga√ß√£o hist√≥rica do povo judeu  com a Palestina, foi solicitado √† Gr√£-Bretanha que facilitasse o estabelecimento de um lar  nacional judaico na Palestina e em Eretz Israel (Terra de Israel). Dois meses depois, em  setembro de 1922, o Conselho da Liga das Na√ß√Ķes e a Gr√£-Bretanha decidiram que as  condi√ß√Ķes para a cria√ß√£o de um lar nacional judaico n√£o valeriam para a regi√£o leste do rio  Jord√£o, que constitu√≠a tr√™s quartos do territ√≥rio inclu√≠do no Mandato e que acabou por se  tornar o Reino Hachemita da Jord√Ęnia. 

Imigra√ß√£o 

Motivados pelo sionismo e incentivados pela empatia brit√Ęnica com as aspira√ß√Ķes judaicas  sionistas, conforme comunicado pelo secret√°rio de Rela√ß√Ķes Exteriores Lord Balfour (1917),  sucessivos grupos de imigrantes chegaram ao pa√≠s, entre 1919 e 1939, cada um contribuindo  para diferentes aspectos do desenvolvimento da comunidade judaica. Cerca de 35.000 judeus  chegaram entre 1919 e 1923, principalmente da R√ļssia, e influenciaram muito o car√°ter e  organiza√ß√£o da comunidade durante anos. Esses pioneiros estabeleceram os alicerces de uma  infraestrutura social e econ√īmica abrangente, desenvolveram a agricultura, instalaram formas  comunit√°rias cooperativas e √ļnicas de assentamentos rurais — kibutz e moshav — e  forneceram a m√£o de obra para a constru√ß√£o de casas e estradas. 

A onda seguinte, com aproximadamente 60.000 judeus, que vieram principalmente da Pol√īnia  entre 1924 e 1932, foi fundamental para o desenvolvimento e enriquecimento da vida urbana.  Esses imigrantes se estabeleceram principalmente em Tel Aviv, Haifa e Jerusal√©m, onde  abriram pequenos neg√≥cios, empresas de constru√ß√£o e ind√ļstrias leves. A √ļltima grande onda  de imigra√ß√£o antes da II Guerra Mundial, que incluiu aproximadamente 165 mil judeus,  ocorreu na d√©cada de 1930, ap√≥s a ascens√£o de Hitler ao poder na Alemanha. Os rec√©m chegados, muitos dos quais eram profissionais e acad√™micos, constitu√≠ram o primeiro grande  grupo de imigrantes da Europa Ocidental e Central. Sua educa√ß√£o, habilidades e experi√™ncia  aumentaram o padr√£o dos neg√≥cios, refinaram as condi√ß√Ķes urbanas e rurais, e ampliaram a  vida cultural da comunidade. 

Administra√ß√£o 

As autoridades brit√Ęnicas concederam √†s comunidades judaica e √°rabe o direito de  administrarem seus pr√≥prios assuntos internos. Utilizando esse direito, a comunidade judaica,  conhecida como Yishuv, elegeu (em 1920) um √≥rg√£o autogovernante com base em  representa√ß√£o partid√°ria, que se reunia anualmente para analisar suas atividades e eleger o  Conselho Nacional (Va'ad Leumi) para implantar suas pol√≠ticas e programas. Financiados por  recursos locais e fundos angariados pelo juda√≠smo mundial, uma rede nacional de servi√ßos  educacionais, religiosos, sociais e de sa√ļde foi desenvolvida e mantida. Em 1922, conforme

estipulado no Mandato, uma "ag√™ncia judaica" foi constitu√≠da para representar o povo judeu  diante das autoridades brit√Ęnicas, governos estrangeiros e organiza√ß√Ķes internacionais. 

Desenvolvimento econ√īmico 

Durante as tr√™s d√©cadas do Mandato, a agricultura foi desenvolvida; f√°bricas foram  estabelecidas; novas estradas foram constru√≠das em todo o pa√≠s; as √°guas do rio Jord√£o foram  represadas para a produ√ß√£o de energia el√©trica; e o potencial mineral do Mar Morto foi  aproveitado. A Histadrut (Federa√ß√£o Geral do Trabalho) foi fundada (1920) para apoiar o bem estar dos trabalhadores e criar empregos atrav√©s do estabelecimento de empresas  cooperativas no setor industrial, assim como servi√ßos de marketing para as col√īnias agr√≠colas. 

Tr√™s movimentos clandestinos judeus ocorreram durante o per√≠odo do Mandato Brit√Ęnico. O  maior deles foi a Haganah, fundada em 1920 pela comunidade judaica como uma mil√≠cia de  defesa para a seguran√ßa da popula√ß√£o judaica. A partir de meados dos anos 1930, o  movimento tamb√©m foi respons√°vel por retalia√ß√Ķes ap√≥s os ataques √°rabes e respostas √†s  restri√ß√Ķes brit√Ęnicas √† imigra√ß√£o judaica com demonstra√ß√Ķes e sabotagem em massa. O Etzel,  organizado em 1931, rejeitou o autocontrole da Haganah e iniciou a√ß√Ķes independentes  contra alvos √°rabes e brit√Ęnicos. O menor e mais militante dos grupos, o Lehi, foi criado em  1940. As tr√™s organiza√ß√Ķes foram dissolvidas com o estabelecimento das For√ßas de Defesa de  Israel em junho de 1948. 

Cultura 

Dia ap√≥s dia, surgia uma vida cultural que se tornaria exclusiva para a comunidade judaica na  Terra de Israel. Arte, m√ļsica, e dan√ßa se desenvolveram gradualmente com a cria√ß√£o de  escolas e est√ļdios profissionais. Galerias e salas forneceram espa√ßos para exposi√ß√Ķes e  espet√°culos, frequentados por um p√ļblico exigente. A abertura de uma nova pe√ßa, o  lan√ßamento de um novo livro, ou uma exposi√ß√£o de retrospectiva de um pintor local eram  imediatamente cobertos pela imprensa e tornaram-se objetos de animados debates em caf√©s  e reuni√Ķes sociais. 

A l√≠ngua hebraica foi reconhecida como l√≠ngua oficial do pa√≠s, juntamente com o ingl√™s e o  √°rabe, e passou a ser usada em documentos, moedas e selos, assim como em programas de  r√°dio. O mercado editorial aumentou, e o pa√≠s surgiu como centro mundial de atividade  liter√°ria em hebraico. Teatros de v√°rios g√™neros abriram suas portas para o p√ļblico,  juntamente com tentativas iniciais de escrever pe√ßas originais em hebraico. 

O renascimento nacional judaico e o empenho da comunidade para reconstruir o pa√≠s  encontraram fortes oposi√ß√Ķes por parte dos nacionalistas √°rabes. Seu ressentimento explodiu  em per√≠odos de intensa viol√™ncia (1920, 1921, 1929, 1936 a 1939), quando ataques n√£o  provocados foram lan√ßados contra a popula√ß√£o judaica, incluindo o Massacre de Hebron de  1929, o ass√©dio no transporte judaico, e a queima de campos e florestas. Tentativas de di√°logo  com os √°rabes, realizadas no in√≠cio do movimento sionista, foram infrut√≠feras, polarizando o  sionismo e o nacionalismo √°rabe em uma situa√ß√£o potencialmente explosiva. Reconhecendo  os objetivos opostos dos dois movimentos nacionais, a Gr√£-Bretanha recomendou (1937) a  divis√£o do pa√≠s em dois Estados, um judeu e outro √°rabe, ligados por uma uni√£o econ√īmica. A

lideran√ßa judaica aceitou a ideia da divis√£o e permitiu que a ag√™ncia judaica negociasse com o  governo brit√Ęnico para reformular os diversos aspectos da proposta. Os √°rabes foram  intransigentemente contra qualquer plano de divis√£o. 

A continua√ß√£o de grandes ataques √°rabes antissemitas levou a Gr√£-Bretanha (em maio de  1939) √† emiss√£o de um Livro Branco, impondo restri√ß√Ķes dr√°sticas sobre a imigra√ß√£o judaica,  apesar de, consequentemente, negar a judeus europeus um ref√ļgio da persegui√ß√£o nazista. 

O in√≠cio da II Guerra Mundial pouco depois levou David Ben-Gurion, posteriormente o primeiro  primeiro-ministro de Israel, a declarar: Vamos lutar na guerra como se n√£o houvesse Livro  Branco, e contra o Livro Branco como se n√£o houvesse guerra. 

Holocausto 

Distintivo amarelo que os judeus foram forçados a usar pelos nazistas

Durante a 2¬™ Guerra Mundial (1939 a 1945), o regime nazista executou um deliberado e  sistem√°tico plano para liquidar a comunidade judaica da Europa. Nesse per√≠odo,  aproximadamente seis milh√Ķes de judeus, incluindo um milh√£o e meio de crian√ßas, foram  assassinados. √Ä medida que os ex√©rcitos nazistas varriam a Europa, os judeus eram  selvagemente perseguidos, submetidos a tortura e humilha√ß√£o, e levados para guetos, onde  tentativas de resist√™ncia armada causaram medidas ainda mais duras. A partir dos guetos, eles  eram transportados para campos de concentra√ß√£o, onde alguns, com mais sorte, eram  submetidos a trabalhos for√ßados, mas a maioria era executada em massa atrav√©s de tiros ou  c√Ęmaras de g√°s. Muitos n√£o conseguiram escapar. Alguns fugiram para outros pa√≠ses, alguns se  juntaram aos guerrilheiros, e outros foram escondidos por n√£o judeus, que arriscaram suas  pr√≥prias vidas ao fazerem isso. Consequentemente, apenas um ter√ßo dos judeus sobreviveu,  incluindo aqueles que haviam deixado a Europa antes da guerra, de uma popula√ß√£o de quase  nove milh√Ķes, que outrora constitu√≠a a maior e mais vibrante comunidade judaica do mundo.  

Ap√≥s a guerra, a oposi√ß√£o √°rabe levou os brit√Ęnicos a intensificar suas restri√ß√Ķes sobre o  n√ļmero de judeus com permiss√£o para entrar e se estabelecer no pa√≠s. A comunidade judaica  reagiu, instituindo uma ampla rede de imigra√ß√£o ilegal para resgatar sobreviventes do  Holocausto. Entre 1945 e 1948, aproximadamente 85.000 judeus foram trazidos √† Terra  secretamente, por rotas muitas vezes perigosas, apesar do bloqueio naval brit√Ęnico e  patrulhas de fronteira preparadas para interceptar refugiados antes de chegarem ao pa√≠s.  Aqueles capturados foram internados em campos de deten√ß√£o na ilha de Chipre, ou for√ßados a  retornar para a Europa. 

Volunt√°rios judeus na 2¬™ Guerra Mundial: Mais de 26.000 homens e mulheres da comunidade  judaica da Terra se ofereceram para juntarem-se √†s for√ßas brit√Ęnicas na luta contra a  Alemanha nazista e seus aliados do Eixo, servindo no ex√©rcito, for√ßa a√©rea e marinha. Em  setembro de 1944, ap√≥s um esfor√ßo prolongado da ag√™ncia judaica no pa√≠s e do movimento  sionista no exterior para conseguir o reconhecimento da participa√ß√£o dos judeus da Palestina  no esfor√ßo de guerra, a Brigada Judaica foi formada como uma unidade militar independente  do ex√©rcito brit√Ęnico, com sua pr√≥pria bandeira e emblema. Composta por aproximadamente

5.000 homens, a brigada agiu no Egito, no norte da It√°lia e no noroeste da Europa. Ap√≥s a  vit√≥ria dos Aliados na Europa (1945), muitos de seus membros juntaram-se √†s atividades de  “imigra√ß√£o ilegal” para trazer sobreviventes do Holocausto √† Terra de Israel. 

A caminho da independ√™ncia 

A incapacidade da Gr√£-Bretanha de conciliar as exig√™ncias opostas das comunidades judaica e  √°rabe levou o governo brit√Ęnico a pedir que a "Quest√£o da Palestina" fosse inscrita na agenda  da Assembleia Geral das Na√ß√Ķes Unidas (em abril de 1947). Como resultado, uma comiss√£o  especial foi constitu√≠da para elaborar propostas sobre o futuro do pa√≠s. Em 29 de novembro de  1947, a Assembleia votou pela ado√ß√£o da proposta do comit√™ de divis√£o da Terra em dois  Estados, um judeu e outro √°rabe. A comunidade judaica aceitou o plano, mas os √°rabes o  rejeitaram. 

Ap√≥s a vota√ß√£o da ONU, os militantes √°rabes locais, auxiliados por volunt√°rios aleat√≥rias de  pa√≠ses √°rabes, lan√ßaram violentos ataques contra a comunidade judaica, tentando frustrar a  resolu√ß√£o da divis√£o e impedir o estabelecimento de um Estado judeu. Ap√≥s uma s√©rie de  contratempos, as organiza√ß√Ķes de defesa judaicas expulsaram a maioria das for√ßas de ataque,  tomando conta de toda a √°rea alocada para o Estado judeu. 

Em 14 de maio de 1948, quando o mandato brit√Ęnico chegou ao fim, a popula√ß√£o judaica na  Terra chegava a 650.000 pessoas, formando uma comunidade organizada com institui√ß√Ķes  pol√≠ticas, sociais e econ√īmicas bem desenvolvidas — de fato, uma na√ß√£o e Estado em todos os  sentidos, exceto no nome.

 

 

 

ESTADO DE ISRAEL 

 

Plano de Divisão de 1947 (Resolução 181 da ONU)

Líbano

Mar Mediterr√Ęneo

Tel Aviv

Haifa

Síria

Jaffa

Jerusalém

Berseb√°

Egito

Transjord√Ęnia

Estado judeu

Estado √°rabe

Zona Internacional

 

 

Linhas do Armistício de 1949 a 1967

Líbano

Síria

Mar Mediterr√Ęneo

Haifa

Samaria

Tel Aviv-Yafo

Jerusalém

Judeia

Berseb√°

Egito

Israel

Israel

Jord√Ęnia

Eilat

Sob o dom√≠nio da Jord√Ęnia

Sob a administração egípcia

 

 

Em 14 de maio de 1948, Israel proclamou sua independ√™ncia. Menos de 24 horas depois, os  ex√©rcitos normais do Egito, Jord√Ęnia, S√≠ria, L√≠bano e Iraque invadiram o pa√≠s, for√ßando Israel a  defender a soberania que acabara de reconquistar em sua p√°tria ancestral. 

Na chamada Guerra de Independ√™ncia de Israel, as rec√©m-formadas e pouco preparadas for√ßas  de defesa de Israel (IDF) expulsaram os invasores em ferozes batalhas intermitentes, em um  per√≠odo que durou aproximadamente 15 meses e custou a vida de seis mil israelenses (quase  1% da popula√ß√£o judaica do pa√≠s na √©poca). 

Durante os primeiros meses de 1949, negocia√ß√Ķes diretas foram realizadas sob os ausp√≠cios da  ONU entre Israel e cada um dos pa√≠ses invasores (exceto o Iraque, que se recusou a negociar  com Israel), resultando em acordos de armist√≠cio que refletiam a situa√ß√£o ao final das disputas.

Assim, a Plan√≠cie Costeira, a Galileia e todo o Neguev ficaram sob a soberania israelense, a  Judeia e a Samaria (Cisjord√Ęnia) ficaram sob o dom√≠nio da Jord√Ęnia, a Faixa de Gaza ficou sob a  administra√ß√£o eg√≠pcia, e a cidade de Jerusal√©m ficou dividida, com a Jord√Ęnia controlando a  parte leste, incluindo a Cidade Velha, e Israel, o setor ocidental. 

A constru√ß√£o do Estado 

Com o fim da guerra, Israel concentrou-se na constru√ß√£o do Estado que o povo tinha lutado  tanto para recuperar. Os primeiros 120 assentos do Knesset (do parlamento) entraram em  funcionamento ap√≥s as elei√ß√Ķes nacionais (em 25 de janeiro de 1949) em que quase 85% de  todos os eleitores votaram. Duas das pessoas que haviam conduzido Israel √† independ√™ncia  tornaram-se l√≠deres do pa√≠s: David Ben-Gurion, l√≠der da ag√™ncia judaica, foi escolhido como  primeiro primeiro-ministro, e Chaim Weizmann, presidente da Organiza√ß√£o Sionista Mundial,  foi eleito pelo Knesset como primeiro presidente. Em 11 de maio de 1949, Israel tornou-se o  59¬ļ membro das Na√ß√Ķes Unidas. 

De acordo com o conceito de "reunir os exilados", que est√° no cerne da raz√£o de ser de Israel,  os port√Ķes do pa√≠s foram abertos, afirmando o direito de cada judeu de vir para o pa√≠s e, ao  entrar, adquirir cidadania. Nos primeiros quatro meses de independ√™ncia, aproximadamente  50.000 rec√©m-chegados, principalmente sobreviventes do Holocausto, chegaram √†s praias de  Israel. At√© o final de 1951, um total de 687.000 homens, mulheres e crian√ßas chegaram, mais  de 300.000 deles refugiados de pa√≠ses √°rabes, duplicando assim a popula√ß√£o judaica. 

A crise econ√īmica causada pela Guerra da Independ√™ncia e a necessidade de sustentar uma  popula√ß√£o em r√°pido crescimento exigiram austeridade no pa√≠s e ajuda financeira do exterior. 

A assist√™ncia prestada pelo governo dos Estados Unidos, empr√©stimos de bancos americanos,  as contribui√ß√Ķes dos judeus da Di√°spora e repara√ß√Ķes alem√£s ap√≥s a guerra foram usados para  construir casas, mecanizar a agricultura, estabelecer uma frota mercante e uma companhia  a√©rea nacional, explorar minerais dispon√≠veis, desenvolver ind√ļstrias e expandir rodovias,  telecomunica√ß√Ķes e redes el√©tricas. 

No final da primeira d√©cada, a produ√ß√£o da ind√ļstria dobrou, assim como o n√ļmero de  pessoas empregadas, com as exporta√ß√Ķes industriais aumentando quatro vezes. A vasta  expans√£o das √°reas cultivadas trouxe autossufici√™ncia no fornecimento de todos os produtos  alimentares b√°sicos, exceto carne e gr√£os, enquanto aproximadamente 50.000 hectares de  terra √°rida foram arborizados e √°rvores foram plantadas ao longo de quase 500 milhas (800  km) de rodovias. 

O sistema educacional, desenvolvido pela comunidade judaica no per√≠odo pr√©-estatal e que  agora inclu√≠a o setor √°rabe, expandiu-se consideravelmente. Frequentar as escolas tornou-se  gratuito e obrigat√≥rio para todas as crian√ßas com idades entre 5 e 14 anos (em 1978 tornou-se  obrigat√≥rio at√© os 16 anos e gratuito at√© os 18). Atividades culturais e art√≠sticas floresceram,  misturando elementos do Oriente M√©dio, do Norte Africano e ocidentais, pois os judeus  chegando de todas as partes do mundo trouxeram consigo as tradi√ß√Ķes espec√≠ficas de suas  comunidades e aspectos da cultura dominante dos pa√≠ses onde tinham vivido por gera√ß√Ķes.  Quando Israel comemorou seu d√©cimo anivers√°rio, a popula√ß√£o ultrapassava dois milh√Ķes.

 

Campanha do Sinai de 1956

Israel

Sob o dom√≠nio da Jord√Ęnia

Líbano

Síria

√Ārea capturada por Israel e devolvida

Haifa

Tel Aviv-Yafo

Samaria

Mar Mediterr√Ęneo

Sinai

Egito

Jerusalém

Judeia

Berseb√°

Jord√Ęnia

Eilat

Ar√°bia Saudita

Mar Vermelho

 

 

Campanha do Sinai de 1956 

Os anos de constru√ß√£o do Estado foram ofuscados por graves problemas de seguran√ßa. Os  acordos de armist√≠cio de 1949 n√£o s√≥ haviam fracassado ao tentar pavimentar o caminho para  a paz permanente, mas tamb√©m eram constantemente violados. Contradizendo a Resolu√ß√£o  do dia 1¬ļ de setembro de 1951 do Conselho de Seguran√ßa da ONU, a passagem de transportes  israelenses e para Israel foi impedida pelo Canal de Suez; o bloqueio do Estreito de Tiran foi  refor√ßado; incurs√Ķes em Israel de grupos terroristas provenientes dos pa√≠ses √°rabes vizinhos  para assassinatos e sabotagens ocorreram com frequ√™ncia cada vez maior, e a pen√≠nsula do  Sinai foi gradualmente convertida em uma imensa base militar eg√≠pcia. 

Com a assinatura de uma alian√ßa militar tr√≠plice entre o Egito, a S√≠ria e a Jord√Ęnia (outubro de  1956), a amea√ßa iminente √† exist√™ncia de Israel foi intensificado. Durante uma campanha de  oito dias, as FDI capturaram a Faixa de Gaza e a Pen√≠nsula do Sinai inteira, parando 10 milhas  (16 km) a leste do Canal de Suez. A decis√£o das Na√ß√Ķes Unidas de implementar uma For√ßa de 

Emerg√™ncia das Na√ß√Ķes Unidas (UNEF) ao longo da fronteira Egito-Israel e garantias eg√≠pcias de  livre navega√ß√£o no Golfo de Eilat levaram Israel a concordar com uma retirada gradual  (novembro de 1956 a mar√ßo de 1957) das √°reas tomadas semanas antes. Consequentemente,  o Estreito de Tiran foi aberto, permitindo o desenvolvimento do com√©rcio com a √Āsia e com  pa√≠ses do leste Africano, assim como importa√ß√Ķes de petr√≥leo do Golfo P√©rsico. 

Anos de consolida√ß√£o 

Durante a segunda d√©cada de Israel (1958 a 1968), as exporta√ß√Ķes duplicaram e o PIB subiu  aproximadamente 10% anualmente. Enquanto alguns itens anteriormente importados, como  papel, pneus, r√°dios e refrigeradores, eram agora fabricados localmente, o crescimento mais  r√°pido ocorreu em setores mais recentes: metais, maquinaria, produtos qu√≠micos e  eletr√īnicos. Como o mercado interno para alimentos locais estava se aproximando

rapidamente do ponto de satura√ß√£o, o setor agr√≠cola come√ßou a cultivar uma maior variedade  de culturas para a ind√ļstria de processamento de alimentos, assim como produtos frescos  para exporta√ß√£o. Um segundo porto de √°guas profundas foi constru√≠do na costa do  Mediterr√Ęneo em Ashdod, al√©m daquele j√° existente em Haifa, para lidar com o aumento do  volume de com√©rcio. 

Em Jerusal√©m, uma sede permanente para o Knesset foi estabelecida, e instala√ß√Ķes para a  Universidade Hebraica e para o centro m√©dico de Hadassah Medical Center foram constru√≠das  em locais alternativos para substituir os edif√≠cios originais no Monte Scopus, que teve que ser  abandonado ap√≥s a Guerra da Independ√™ncia. Ao mesmo tempo, o Museu de Israel foi criado  com o objetivo de coletar, preservar, estudar e expor os tesouros culturais e art√≠sticos do povo  judeu. 

As rela√ß√Ķes exteriores de Israel expandiram-se de forma constante, pois uma rela√ß√£o foi  desenvolvida com os Estados Unidos, com pa√≠ses da Comunidade Brit√Ęnica, com a maioria dos  pa√≠ses da Europa Ocidental, com quase todos os pa√≠ses da Am√©rica Latina e da √Āfrica, e com  alguns da √Āsia. Abrangentes programas de coopera√ß√£o internacional foram iniciados, e  centenas de m√©dicos, engenheiros, professores, agr√īnomos, especialistas em irriga√ß√£o, e  organizadores de jovens israelenses compartilharam seu conhecimento e experi√™ncia com  pessoas de outros pa√≠ses em desenvolvimento. Em 1965, houve uma troca de embaixadores  com a Rep√ļblica Federal da Alemanha, um movimento adiado at√© ent√£o devido √† m√°goa do  povo judeu em rela√ß√£o aos crimes cometidos durante o regime nazista (1933 a 1945).  Oposi√ß√Ķes veementes e debates p√ļblicos precederam a normaliza√ß√£o das rela√ß√Ķes entre os  dois pa√≠ses. 

Julgamento do criminoso de guerra nazista Adolf Eichmann em Jerusal√©m • G.P.O. / J. Milli 

Julgamento de Eichmann: Em maio de 1960, Adolf Eichmann, chefe de opera√ß√Ķes do  programa de assassinato nazista durante a II Guerra Mundial, foi trazido ao pa√≠s para ser  julgado de acordo com a lei de Israel relacionada aos nazistas e colaboradores nazistas (de  1950). No julgamento, iniciado em abril de 1961, Eichmann foi considerado culpado de crimes  contra a humanidade e do povo judeu e condenado √† morte. Seu apelo √† Suprema Corte foi  rejeitado e ele foi enforcado em 30 de maio de 1962. Essa foi a √ļnica vez que a pena de morte  foi realizada sob a lei israelense. 

Guerra dos Seis Dias de 1967

Mar Mediterr√Ęneo

Haifa

Líbano

Egito

Tel Aviv-Yafo

Jerusalém

Berseb√°

Jord√Ęnia

Sinai

Eilat

Ar√°bia Saudita

 

 

Mar Vermelho

Linhas de cessar-fogo após a Guerra dos Seis Dias de 1967

 

 

A esperan√ßa por mais uma d√©cada de relativa tranquilidade foi frustrada com o aumento de  ataques terroristas √°rabes atrav√©s das fronteiras com o Egito e a Jord√Ęnia, persistentes  bombardeio de artilharia da S√≠ria, vindos de assentamentos agr√≠colas no norte da Galileia, e  enormes ataques militares dos pa√≠ses √°rabes vizinhos. Quando o Egito enviou novamente um  grande n√ļmero de tropas para o deserto do Sinai (em maio de 1967), ordenou que as for√ßas de  paz da ONU (estabelecidas desde 1957) sa√≠ssem da regi√£o, restabeleceu o bloqueio do Estreito  de Tiran, e entrou em uma alian√ßa militar com a Jord√Ęnia, Israel viu-se diante de ex√©rcitos  √°rabes hostis em todas as frentes. √Ä medida que seus vizinhos se preparavam para destruir o  Estado judeu, Israel invocou seu direito inerente de leg√≠tima defesa, lan√ßando um ataque  preventivo (em 5 de junho de 1967) contra o Egito pelo sul do pa√≠s, seguido por um contra ataque contra a Jord√Ęnia pelo leste e um encaminhamento das for√ßas s√≠rias entrincheiradas  nas Colinas de Gol√£ pelo norte. 

Ap√≥s seis dias de batalha, as antigas linhas de cessar-fogo foram substitu√≠das por outras, com a  Judeia, Samaria, Gaza, a Pen√≠nsula do Sinai e as Colinas de Gol√£ sob o controle de Israel.  Consequentemente, as aldeias do norte foram libertadas ap√≥s 19 anos de bombardeios s√≠rios  recorrentes; a passagem transporte de e para Israel atrav√©s do Estreito de Tiran estava  assegurada; e Jerusal√©m, que estivera dividida entre Israel e Jord√Ęnia desde 1949, foi  reunificada sob a autoridade de Israel. 

De guerra em guerra 

Ap√≥s a guerra, o desafio diplom√°tico de Israel era traduzir suas vit√≥rias militares em paz  permanente com base na Resolu√ß√£o n¬ļ 242, que pedia reconhecimento da soberania,  integridade territorial e independ√™ncia pol√≠tica de cada Estado da regi√£o e seu direito de viver  em paz dentro de fronteiras seguras e reconhecidas, livres de amea√ßas ou atos de for√ßa. No  entanto, a posi√ß√£o √°rabe, tal como formulada na C√ļpula de Cartum (em agosto de 1967) n√£o  aceitava paz, negocia√ß√Ķes nem o reconhecimento de Israel. Em setembro de 1968, o Egito  iniciou uma "guerra de desgaste", com a√ß√Ķes espor√°dicas e est√°ticas ao longo das margens do  Canal de Suez, que, por sua vez, transformaram-se em lutas reais e localizadas em grande  escala, causando mortes dos dois lados. As hostilidades terminaram em 1970, quando Egito e  Israel aceitaram renovar o cessar-fogo ao longo do Canal de Suez. 

Guerra de Iom Kipur de 1973 

Durante tr√™s anos, houve uma calma relativa ao longo das fronteiras; ent√£o, no Iom Kipur (Dia  do Perd√£o), o dia mais sagrado do ano judaico, o Egito e a S√≠ria lan√ßaram um ataque de  surpresa coordenado contra Israel (em 6 de outubro de 1973). O ex√©rcito eg√≠pcio atravessou o  Canal de Suez e tropas s√≠rias invadiram as Colinas de Gol√£. Durante as tr√™s semanas seguintes,  as For√ßas de Defesa de Israel mudaram o rumo da batalha e afastaram os ataques,  atravessando o Canal de Suez no Egito e avan√ßando 20 milhas (32 km) para dentro da capital  s√≠ria, Damasco. Dois anos de dif√≠ceis negocia√ß√Ķes entre Israel e o Egito e entre Israel e a S√≠ria

resultaram em acordos de retirada, que determinaram que Israel se retirasse de partes dos  territ√≥rios capturados durante a guerra. 

Opera√ß√£o Paz para a Galileia de 1982 

Israel nunca quis conflito com seu vizinho do norte, o L√≠bano. No entanto, quando a  Organiza√ß√£o de Liberta√ß√£o da Palestina (OLP) se instalou no sul do L√≠bano ap√≥s ter sido expulsa  da Jord√Ęnia (1970) e perpetrou v√°rias a√ß√Ķes terroristas contra as cidades e aldeias do norte de  Israel (Galileia), causando muitas v√≠timas e danos, as For√ßas de Defesa de Israel cruzaram a  fronteira com o L√≠bano (1982). A "Opera√ß√£o Paz para a Galileia" conseguiu remover da regi√£o a  maior parte da infraestrutura organizacional e militar da OLP. Durante os 18 anos seguintes,  Israel manteve uma pequena zona de seguran√ßa no sul do L√≠bano, adjacente √† sua fronteira do  norte, para proteger a popula√ß√£o da Galileia contra ataques. 

2¬™ Guerra do L√≠bano 

Em maio de 2000, Israel retirou todas as suas for√ßas da zona de seguran√ßa no sul do L√≠bano. No  entanto, o L√≠bano n√£o cumpriu as resolu√ß√Ķes 425 e 1559 do Conselho de Seguran√ßa da ONU,  que exigem o desmantelamento do Hezbollah e o deslocamento do ex√©rcito liban√™s no sul do  L√≠bano. 

Consequentemente, houve viol√™ncia em julho de 2006, ap√≥s o Hezbollah raptar dois soldados  israelenses e bombardear cidades do norte de Israel. No conflito que se seguiu, depois  conhecido como II Guerra do L√≠bano, mais de 4.000 m√≠sseis foram disparados contra civis em  Israel. Os combates terminaram em agosto de 2006, e a Resolu√ß√£o 1701 do CSONU foi  aprovada, pedindo a liberta√ß√£o incondicional dos soldados israelenses capturados, a  implanta√ß√£o de soldados libaneses e da FINUL em todo o sul do L√≠bano, e o estabelecimento  de um embargo sobre armas fornecidas aos grupos armados libaneses. 

Opera√ß√£o em Gaza em 2008 

Ap√≥s a retirada israelense da Faixa de Gaza e de quatro assentamentos no norte da  Cisjord√Ęnia, em 2005, e a elei√ß√£o do Hamas, em 2007, o terrorismo contra Israel aumentou.  Milhares de m√≠sseis foram disparados da Faixa de Gaza contra o sul de Israel, resultando em  danos materiais e danos f√≠sicos e psicol√≥gicos √† popula√ß√£o que vive no sul, e for√ßando Israel a  tomar uma a√ß√£o militar na forma da Opera√ß√£o Chumbo Fundido (27 de dezembro de 2008 at√©  18 de janeiro de 2009). 

Todo ano, Israel comemora o anivers√°rio do assassinato do primeiro-ministro Yitzhak Rabin.  Seu assassinato, em 4 de novembro de 1995, por um extremista judeu mergulhou o pa√≠s em  luto profundo pelo soldado-estadista, que havia sa√≠do do campo de batalha para liderar a  na√ß√£o em dire√ß√£o √† paz. 

Da guerra √† paz 

As elei√ß√Ķes Knesset em 1977 trouxeram o bloco Likud (uma coliga√ß√£o de partidos de direita e  de centro) ao poder, pondo fim a quase 30 anos de dom√≠nio do Partido Trabalhista. O novo

primeiro-ministro, Menachem Begin, reiterou o compromisso de todos os ministros anteriores  de lutar pela paz permanente na regi√£o e chamou os l√≠deres √°rabes √† mesa de negocia√ß√Ķes. 

A visita do presidente eg√≠pcio Anwar Sadat a Jerusal√©m (em novembro de 1977) marcou o fim  da rejei√ß√£o √°rabe aos apelos de Israel pela paz. Foi seguida por negocia√ß√Ķes entre o Egito e  Israel, sob os ausp√≠cios dos americanos. Os Acordos de Camp David resultantes (em setembro  de 1978) continham uma estrutura para uma paz global no Oriente M√©dio, incluindo uma  proposta detalhada de autogoverno para os palestinos. 

Em 26 de mar√ßo de 1979, Israel e Egito assinaram um tratado de paz em Washington, EUA,  terminando os 30 anos de guerra entre eles. De acordo com os termos do tratado, Israel  retirou-se da Pen√≠nsula do Sinai, trocando antigas linhas de cessar-fogo e acordos de armist√≠cio  pelo reconhecimento m√ļtuo das fronteiras internacionais. 

Os tr√™s anos de negocia√ß√Ķes entre a Jord√Ęnia e Israel, ap√≥s a Confer√™ncia de Paz de Madrid,  em 1991, culminaram com uma declara√ß√£o do Rei Hussein, do Reino Hachemita da Jord√Ęnia, e  do primeiro-ministro Yitzhak Rabin (em julho de 1994), finalizando os 46 anos de guerra entre  os dois pa√≠ses. O tratado de paz entre Jord√Ęnia e Israel foi assinado no posto fronteiri√ßo do  Arav√° (perto de Eilat em Israel e Akaba na Jord√Ęnia) em 26 de outubro de 1994, na presen√ßa  do presidente americano Bill Clinton. 

 

Fronteira internacional

Linha de cessar-fogo

Haifa

Tel Aviv-Yafo

Líbano

Mar Mediterr√Ęneo

Jerusalém

Egito

Sinai

Berseb√°

Eilat

Mar Vermelho

Jord√Ęnia

Ar√°bia Saudita

Paz com o Egito e a Jord√Ęnia

 

 

TERRORISMO: O terrorismo √°rabe e palestino contra Israel existe h√° d√©cadas, antes e depois  do estabelecimento do Estado de Israel. Milhares de ataques terroristas que resultaram em  morte e ferimentos de civis israelenses ocorreram durante as duas d√©cadas anteriores √†  Guerra dos Seis Dias de 1967 (o que levou √† presen√ßa de Israel nos territ√≥rios). Ap√≥s sua  cria√ß√£o, em 1964, a OLP ficou √† frente da campanha terrorista. 

Durante os anos 1970 e 1980, as v√°rias organiza√ß√Ķes terroristas comandadas pela OLP  lan√ßaram v√°rios ataques dentro e fora de Israel. Um dos ataques mais not√≥rios foi o  assassinato de 11 atletas israelenses nas Olimp√≠adas de Munique, em 1972.

Apesar do compromisso palestino, em 1993, a terminar o terrorismo, proporcionando assim a  base para o processo de paz palestino-israelense, os ataques terroristas continuaram, e  intensificaram-se ainda mais ap√≥s setembro de 2000, resultando na morte de mais de mil civis  israelenses e ferindo milhares outros. 

Desafios internos 

Durante os anos 1980 e 1990, Israel aceitou mais de um milh√£o de novos imigrantes,  principalmente da antiga Uni√£o Sovi√©tica, da Europa Oriental, e da Eti√≥pia. A chegada de  tantos novos consumidores e de um grande n√ļmero de trabalhadores qualificados e n√£o  qualificados impulsionou a economia, criando um per√≠odo de expans√£o acelerada. 

O governo que chegou ao poder ap√≥s as elei√ß√Ķes Knesset, em 1984, era composto pelos dois  principais blocos pol√≠ticos — o Trabalhista (esquerda/centro) e Likud (direita/centro). Foi  substitu√≠do em 1988 por uma coaliz√£o liderada pelo Likud, seguida em 1992 por uma coaliz√£o  do Partido Trabalhista e outros partidos esquerdistas menores. Ap√≥s o assassinato do  primeiro-ministro Yitzhak Rabin, em 1995, novas elei√ß√Ķes foram realizadas em 1996. Elei√ß√Ķes  diretas levaram o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu ao poder, formando ent√£o uma  coaliz√£o liderada pelo Likud. Menos de tr√™s anos depois, seu governo foi derrotado. Em 1999,  Ehud Barak, l√≠der do Partido One Israel (esquerda/centro), foi eleito primeiro-ministro e  formou um governo de coaliz√£o. Ele renunciou em dezembro de 2000. Ariel Sharon, l√≠der do  Likud, foi primeiro-ministro do in√≠cio de 2001 at√© o in√≠cio de 2006, quando sofreu um derrame.  Ehud Olmert, l√≠der do Partido Kadima, formado por Sharon em novembro de 2005, foi seu  sucessor como primeiro-ministro. 

Ap√≥s a sa√≠da de Ehud Olmert, Benjamin Netanyahu foi eleito primeiro-ministro em elei√ß√Ķes  antecipadas, realizadas em fevereiro de 2009, e formou um governo de coaliz√£o de base  ampla. 

Cada governo procurou conquistar a paz, o desenvolvimento econ√īmico, e a absor√ß√£o de  imigrantes de acordo com suas pr√≥prias convic√ß√Ķes pol√≠ticas.

 

 

O PROCESSO DE PAZ 

Desde a assinatura do tratado de paz entre Egito e Israel (em 1979), v√°rias iniciativas foram  apresentadas por Israel e outros para promover o processo de paz no Oriente M√©dio. Essas  tentativas acabaram por levar √† convoca√ß√£o da Confer√™ncia de Paz de Madri (em outubro de  1991), realizada sob os ausp√≠cios dos americanos e sovi√©ticos, que reuniu representantes de  Israel, S√≠ria, L√≠bano, Jord√Ęnia e Palestina. Os processos formais foram seguidos por negocia√ß√Ķes  bilaterais entre as partes e por conversas multilaterais sobre preocupa√ß√Ķes regionais. 

Conversas bilaterais 

Israel e os palestinos: Ap√≥s meses de intensos contatos discretos em Oslo entre negociadores  de Israel e da Organiza√ß√£o para a Liberta√ß√£o da Palestina (OLP), uma Declara√ß√£o de Princ√≠pios  (DP) foi formulada, delineando determina√ß√Ķes de autogoverno dos palestinos na Cisjord√Ęnia e  na Faixa de Gaza. Sua assinatura, em 13 de setembro de 1993, foi precedida por uma troca de  cartas entre o presidente da OLP, Yasser Arafat, e o primeiro-ministro Yitzhak Rabin, em que a 

OLP renunciou ao uso do terrorismo, comprometeu-se a invalidar os artigos em sua alian√ßa  que negam o direito de exist√™ncia de Israel, e comprometeu-se a uma resolu√ß√£o pac√≠fica do  conflito, que j√° durava d√©cadas. Em resposta, Israel reconheceu a OLP como representante do  povo palestino. 

O DP continha princ√≠pios gerais mutuamente acordados em rela√ß√£o a um per√≠odo de cinco  anos de autogoverno palestino e uma estrutura para as v√°rias fases de negocia√ß√Ķes entre  Israel-Palestina. As determina√ß√Ķes para o autogoverno palestino na Faixa de Gaza e na √°rea de  Jeric√≥ foram implementadas em maio de 1994; a transfer√™ncia de compet√™ncias e  responsabilidades na Cisjord√Ęnia em termos de educa√ß√£o e cultura, sa√ļde, assist√™ncia social,  fiscaliza√ß√£o direta e turismo foi implementada tr√™s meses depois. O DP e outros acordos  assinados entre Israel e os palestinos culminaram com a assinatura do Acordo Provis√≥rio  Israel-Palestina em setembro de 1995. 

Esse acordo inclu√≠a uma amplia√ß√£o do autogoverno palestino por meio de uma autoridade  governante autoeleita , o Conselho Palestino (eleito em janeiro de 1996), e a continua√ß√£o do  restabelecimento das FDI na Cisjord√Ęnia. O acordo tamb√©m iniciou o mecanismo que rege as  rela√ß√Ķes entre israelenses e palestinos, que levaria a um acordo definitivo. Nos termos do  Acordo Provis√≥rio, a Cisjord√Ęnia foi dividida em tr√™s tipos de regi√Ķes: 

Regi√£o A — inclui as principais cidades da Cisjord√Ęnia: responsabilidade total do conselho  palestino pela seguran√ßa interna e ordem p√ļblica, assim como por assuntos civis. (A cidade de  Hebron estava sujeita a um regime especial, estabelecido no Acordo Provis√≥rio; o protocolo  relativo ao restabelecimento em Hebron foi assinado em janeiro de 1997.) 

Regi√£o B — composta por pequenas cidades e aldeias na Cisjord√Ęnia: Responsabilidade do  conselho palestino por quest√Ķes civis (como na regi√£o A) e pela manuten√ß√£o da ordem p√ļblica,  enquanto Israel manteve a responsabilidade primordial pela seguran√ßa, para proteger seus  cidad√£os e combater o terrorismo. 

Regi√£o C — composta por todos os assentamentos judaicos, regi√Ķes de import√Ęncia  estrat√©gica para Israel, e √°reas praticamente despovoadas na Cisjord√Ęnia: responsabilidade

total de Israel pela seguran√ßa e ordem p√ļblica, assim como responsabilidades civis  relacionadas ao territ√≥rio (planejamento e zoneamento, arqueologia, etc.). O conselho  palestino assume a responsabilidade em rela√ß√£o a todas as outras esferas civis da popula√ß√£o  palestina. 

O calend√°rio para a implementa√ß√£o das fases de maior restabelecimento, conforme  especificado no acordo provis√≥rio, foi revisto em v√°rias ocasi√Ķes pelos dois lados,  principalmente no Memorando de Wye River, de outubro de 1998. Ap√≥s essas revis√Ķes  acordadas, Israel completou a primeira e segunda fase do Processo de Restabelecimento  Adicional (PRA) em mar√ßo de 2000. Como resultado dos restabelecimentos, mais de 18% da  Cisjord√Ęnia constitu√≠ram a Regi√£o A e mais de 21% constitu√≠ram a Regi√£o B, com 98% da  popula√ß√£o palestina da Cisjord√Ęnia sob o controle da autoridade palestina. 

Negocia√ß√Ķes finais entre as partes, para determinar a natureza do acordo permanente entre  Israel e os palestinos, come√ßou conforme previsto, em maio de 1996. Atentados suicidas,  perpetrados por terroristas do Hamas em Jerusal√©m e Tel Aviv durante 1996, tornaram o  processo de paz negativo para Israel. Houve ent√£o uma pausa de tr√™s anos, e as negocia√ß√Ķes  finais s√≥ foram retomadas ap√≥s o Memorando Sharm e-Sheikh (em setembro de 1999).  Quest√Ķes a serem tratadas com inclu√≠am: refugiados, assentamentos, quest√Ķes de seguran√ßa,  fronteiras, Jerusal√©m, e muito mais. A convite do presidente dos EUA, Bill Clinton, o primeiro ministro israelense Ehud Barak e o presidente da autoridade palestina, Yasser Arafat,  participaram de uma c√ļpula em Camp David em julho de 2000 para retomar as negocia√ß√Ķes. A  c√ļpula terminou sem acordo, pois Arafat, o presidente da AP, recusou-se a aceitar a generosa  proposta. No entanto, um comunicado trilateral foi emitido, definindo os princ√≠pios acordados  para orientar futuras negocia√ß√Ķes. 

Em setembro de 2000, os palestinos iniciaram uma intifada, uma campanha de terrorismo e  viol√™ncia indiscriminados, causando mortes e sofrimento para os dois lados. In√ļmeras  tentativas de acabar com o confronto violento e renovar o processo de paz fracassaram devido  ao cont√≠nuo terrorismo palestino. 

Israel aceitou a vis√£o apresentada no discurso do presidente dos EUA, George W. Bush, em 24  de junho de 2002, para acabar com o terrorismo palestino, a ser seguido pela resolu√ß√£o final  de todas as quest√Ķes e pela paz. 

Em 25 de maio de 2003, Israel aceitou o roteiro, juntamente com coment√°rios que Israel  considera essenciais para sua implementa√ß√£o e um compromisso dos EUA para lidar com estes  coment√°rios. No entanto, os palestinos ainda n√£o cumpriram suas obriga√ß√Ķes relativas √†  primeira fase do roteiro, principalmente a cessa√ß√£o incondicional do terrorismo e o fim da  incita√ß√£o. Uma das medidas tomadas por Israel contra o terrorismo √© a constru√ß√£o de um  muro antiterrorista. 

Em agosto de 2005, Israel desligou-se da Faixa de Gaza e de quatro assentamentos no norte da  Samaria (Cisjord√Ęnia), procurando acabar com o impasse no processo de paz ap√≥s cinco anos  de terrorismo palestino. No entanto, o terrorismo palestino continuou ap√≥s a elei√ß√£o do  governo do Hamas, incluindo ataques com m√≠sseis Kassam da Faixa de Gaza no norte do  Neguev e o sequestro de um soldado israelense, exigindo uma a√ß√£o militar israelense.

O novo governo israelense, eleito no in√≠cio de 2009, fez v√°rias tentativas de reiniciar o  processo de paz. Infelizmente, essas tentativas foram todas frustradas pelos palestinos, com  sua nova exig√™ncia de que os israelenses satisfizessem v√°rias condi√ß√Ķes para que as  negocia√ß√Ķes pudessem ser sequer recome√ßadas. Foi somente em maio de 2010 que os  palestinos concordaram em realizar conversas de proximidade. 

Israel e S√≠ria: dentro da f√≥rmula de Madri, as negocia√ß√Ķes entre as delega√ß√Ķes israelense e  s√≠ria come√ßaram em Washington e foram realizadas ocasionalmente com embaixadores,  envolvendo altos funcion√°rios norte-americanos. 

Duas rodadas de negocia√ß√Ķes Israel-S√≠ria (em dezembro de 1995 e janeiro de 1996) focaram a  seguran√ßa e outras quest√Ķes fundamentais. Altamente detalhados e abrangentes, as  negocia√ß√Ķes identificaram importantes √°reas de concord√Ęncia e converg√™ncia conceituais para  discuss√£o e considera√ß√£o futuras. As negocia√ß√Ķes entre Israel e S√≠ria foram renovadas em  janeiro de 2000, em Shepherdstown, EUA, ap√≥s uma pausa de mais de tr√™s anos. No entanto,  n√£o trouxeram avan√ßos; o encontro entre o Presidente Clinton e Hafez Assad em Genebra (em  mar√ßo de 2000) tamb√©m n√£o levou a novas negocia√ß√Ķes. 

A S√≠ria, juntamente com o Ir√£, apoiou as organiza√ß√Ķes terroristas mais violentas e perigosas,  como Hezbollah e v√°rios grupos terroristas palestinos. 

Israel e L√≠bano: Em 23 de maio de 2000, Israel completou a retirada de todas as for√ßas  militares da zona de seguran√ßa no sul do L√≠bano, em conformidade com a decis√£o do governo  israelense para implementar a Resolu√ß√£o 425 do CSONU. Infelizmente, o L√≠bano ainda n√£o  cumpriu totalmente sua parte da Resolu√ß√£o 425, nem da Resolu√ß√£o 1.559 (que exige o  desmantelamento do Hezbollah e o deslocamento do ex√©rcito liban√™s no sul do L√≠bano). Houve  viol√™ncia novamente, ap√≥s o sequestro de dois soldados israelenses e o bombardeio de  cidades do norte de Israel pelo Hezbollah em 12 de julho de 2006. Israel foi for√ßado a agir para  remover a presen√ßa terrorista do Hezbollah no sul do L√≠bano, o que incluiu dezenas de  milhares de m√≠sseis de artilharia pesada fornecidos pelo Ir√£ e S√≠ria e disparados em milh√Ķes de  civis israelenses. No conflito que se seguiu, mais tarde conhecido como II Guerra do L√≠bano,  mais de 4.000 m√≠sseis foram disparados contra alvos civis dentro de Israel, causando 44 v√≠timas  civis e danos √† infraestrutura civil e propriedades. Cento e dezenove soldados israelenses  tamb√©m foram mortos no conflito durante as opera√ß√Ķes militares. A luta terminou com a  ado√ß√£o, em 11 de agosto de 2006, da Resolu√ß√£o 1.701 do Conselho de Seguran√ßa, que exige a  liberta√ß√£o incondicional dos soldados sequestrados, determina que o L√≠bano e a UNIFIL  restabele√ßam-se, juntos, em todo o sul do L√≠bano ,e estabelece um embargo de armas para  grupos libaneses n√£o governamentais. 

Negocia√ß√Ķes multilaterais 

As negocia√ß√Ķes multilaterais constitu√≠ram o processo de paz, visando a encontrar solu√ß√Ķes  para os principais problemas regionais e proporcionar seguran√ßa para promover o  desenvolvimento da normaliza√ß√£o das rela√ß√Ķes entre as na√ß√Ķes do Oriente M√©dio. Ap√≥s a  Multilateral Middle East Conference de Moscou (janeiro de 1992), com a participa√ß√£o de 36  pa√≠ses e organiza√ß√Ķes internacionais, as delega√ß√Ķes dividiram-se em cinco grupos de trabalho  para lidar com √°reas espec√≠ficas de interesses regionais comuns (meio ambiente, controle de

armas e seguran√ßa regional, refugiados, recursos de √°gua, e desenvolvimento econ√īmico) que  se re√ļnem periodicamente em v√°rios locais na regi√£o. 

O comit√™ diretivo, composto por representantes das principais delega√ß√Ķes e presidido por EUA  e R√ļssia, coordena as negocia√ß√Ķes multilaterais. Desde o in√≠cio da viol√™ncia palestina em  setembro de 2000, a maioria das atividades das negocia√ß√Ķes multilaterais est√£o paradas. 

 

DESTAQUES HIST√ďRICOS 

Desenhos: Noam Nadav 

AEC – Antes da Era Comum 

S√©culos XVII at√© VI AEC – Tempos b√≠blicos 

 

c. Séc. XVII

Abra√£o, Isaac e Jac√≥, os patriarcas do povo judeu, se estabelecem  na Terra de Israel. A fome for√ßa os israelitas a emigrar para o Egito

c. Séc. XIII

Mois√©s lidera os israelitas na sa√≠da do Egito, seguido por 40 anos de  peregrina√ß√£o no deserto; a Tor√°, incluindo os dez mandamentos, √©  recebida no Monte Sinai

c. Séc. XIII a XII

Os israelitas se estabelecem na Terra de Israel

c. 1020

A monarquia judaica é estabelecida; Saul é o primeiro rei

c. 1000

Jerusalém torna-se a capital do reino de Davi

c. 960

Primeiro templo, centro nacional e espiritual do povo judeu, √©  constru√≠do em Jerusal√©m pelo rei Salom√£o

c. 930

Reino dividido: Jud√° e Israel

722 a 720

Israel √© destru√≠do pelos ass√≠rios; 10 tribos exiladas (Dez Tribos  Perdidas)

586

Jud√° √© conquistado pela Babil√īnia

Jerusal√©m e o Primeiro Templo s√£o destru√≠dos; a maioria dos  judeus √© exilada

 

 

Per√≠odo do Segundo Templo 

538 a 142

Períodos persa e helenístico

538 a 515

Muitos judeus retornam da Babil√īnia; Templo √© reconstru√≠do

332

A Terra √© conquistada por Alexandre, o Grande; dom√≠nio  helen√≠stico

166 a 160

Revolta dos Macabeus (Asmoneus) contra as restri√ß√Ķes √† pr√°tica do  juda√≠smo e profana√ß√£o do Templo

142 a 129

Autonomia judaica sob a liderança dos Asmoneus

129 a 63

Independência judaica sob a monarquia dos Asmoneus

63

Jerusalém capturada pelo general romano Pompeu

63 AEC a 313 EC РDomínio romano

63 a 4 AEC

Herodes, rei vassalo romano, governa a Terra de Israel Templo de Jerusalém é reformado

 

 

EC – Era Comum

c. 20 a 33

Ministério de Jesus de Nazaré

66

Revolta judaica contra os romanos

70

Destruição de Jerusalém e do Segundo Templo

73

√öltima fortaleza de judeus em Massada

132 a 135

Revolta de Bar Kochba contra Roma

c. 210

Codificação da Lei Oral judaica (Misná) concluída

313 a 636

Domínio bizantino

c. 390

Explica√ß√Ķes da Misn√° (Talmude de Jerusal√©m) conclu√≠das

614

Invas√£o persa

636 a 1099

Domínio árabe

691

No local do Primeiro e do Segundo Templo de Jerusal√©m, o Domo  da Rocha √© constru√≠do pelo califa Abd el-Malik

1099 a 1291

Dominação dos cruzados (Reino Latino de Jerusalém)

1291 a 1516

Domínio mameluco

1517 a 1917

Domínio otomano

1564

Código da lei judaica (Shulchan Aruch) é publicado

1860

Primeiro bairro constru√≠do fora dos muros da Cidade Velha de  Jerusal√©m

1882 a 1903

Primeira Ali√° (imigra√ß√£o em grande escala), principalmente da  R√ļssia

1897

Primeiro Congresso Sionista, reunido por Theodor Herzl na Basileia,  Su√≠√ßa; funda√ß√£o da Organiza√ß√£o Sionista

1904 a 1914

Segunda Ali√°, principalmente da R√ļssia e Pol√īnia

1909

Primeiro kibutz, Degania, e a primeira cidade moderna  completamente judia, Tel Aviv, s√£o fundados

1917

Fim de 400 anos de dom√≠nio otomano com a conquista brit√Ęnica Ministro de Rela√ß√Ķes Exteriores brit√Ęnico, Balfour, declara o apoio  ao estabelecimento de um "lar nacional judeu na Palestina"

1918 a 1948

Dom√≠nio brit√Ęnico

1919 a 1923

Terceira Ali√°, principalmente da R√ļssia

1920

Histadrut (Federa√ß√£o Geral do Trabalho) e Haganah (Organiza√ß√£o  de Defesa Judaica) fundadas 

Vaad Leumi (Conselho Nacional) institu√≠do pela comunidade  judaica (Yishuv) para administrar seus assuntos internos

1921

Primeiro moshav (aldeia cooperativa), Nahalal, fundada

1922

Mandato sobre a Palestina (Terra de Israel) √© concedido √† Gr√£ Bretanha pela Liga das Na√ß√Ķes. Transjord√Ęnia determinada em tr√™s  quartos da regi√£o, deixando um quarto para o lar nacional judaico  Ag√™ncia judaica, representante da comunidade judaica diante das  autoridades do Mandato, √© criada

1924

Technion, o primeiro instituto de tecnologia, fundado em Haifa

1924 a 1932

Quarta Ali√°, principalmente da Pol√īnia

1925

Universidade Hebraica de Jerusalém inaugurada no Monte Scopus

1929

Judeus de Hebron massacrados por terroristas √°rabes

1931

Etzel, organização clandestina judaica, é fundada

1933 a 1939

Quinta Ali√°, principalmente da Alemanha

1936 a 1939

Revoltas antissemitas instigadas por terroristas √°rabes

1939

Imigra√ß√£o judaica √© severamente limitada pelo Livro Branco  brit√Ęnico

1939 a 1945

2ª Guerra Mundial: Holocausto na Europa

 

 

1940 a 1941

Movimento clandestino Lehi √© formado; Palmach, for√ßa de ataque  da Hagan√°, √© criada

1944

Brigada Judaica √© formada como parte das for√ßas brit√Ęnicas

1947

A ONU prop√Ķe cria√ß√£o de Estados √°rabes e judeus na Terra

1948

Estado de Israel

1948

Fim do Mandato Brit√Ęnico (14 de maio)

Estado de Israel proclamado (14 de maio) 

Israel invadido por cinco pa√≠ses √°rabes (15 de maio) 

For√ßas de Defesa de Israel (FDI) criadas 

Guerra da Independência (maio de 1948 a julho de 1949)

1949

Acordos de armist√≠cio com Egito, Jord√Ęnia, S√≠ria, L√≠bano Jerusal√©m dividida entre Israel e Jord√Ęnia 

Primeiro Knesset (parlamento) eleito 

Israel aceito na Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas como 59¬ļ membro

1948 a 1952

Imigração em massa da Europa e países árabes

1956

Campanha do Sinai

1961 a 1962

Adolf Eichmann julgado e executado em Israel por sua participa√ß√£o  no Holocausto

1964

Transportadora Nacional de √Āguas conclu√≠da, trazendo √°gua do  Lago Kineret, no norte, at√© o sul, cujo clima √© seco

1967

Guerra dos Seis Dias; Jerusalém reunificada

1968 a 1970

"Guerra de desgaste" entre Egito e Israel

1973

Guerra de Iom Kipur

1975

Israel torna-se membro associado do Mercado Comum Europeu

1977

Likud forma o governo ap√≥s as elei√ß√Ķes Knesset; fim de 30 anos de  governo trabalhista 

Visita do presidente egípcio Anwar Sadat a Jerusalém

1978

Acordos de Camp David incluem a estrutura para uma paz  abrangente no Oriente M√©dio e proposta de autogoverno palestino

1979

Tratado de paz entre Israel e Egito é assinado

O primeiro-ministro Menachem Begin e o presidente Anwar Sadat  recebem o Pr√™mio Nobel da Paz

1981

For√ßa A√©rea de Israel destr√≥i o reator at√īmico do Iraque pouco  antes do in√≠cio de seu funcionamento

1982

Retirada de Israel da Pen√≠nsula do Sinai √© conclu√≠da em tr√™s etapas Opera√ß√£o Paz para a Galileia remove terroristas da Organiza√ß√£o de  Liberta√ß√£o da Palestina (OLP) do L√≠bano

1984

Unidade de governo nacional (Likud e Trabalhista) √© formada ap√≥s  as elei√ß√Ķes 

Operação Moisés: imigração de judeus da Etiópia

1985

Acordo de Livre Comércio assinado com os Estados Unidos

1987

Dist√ļrbios violentos e generalizados (intifada) come√ßam em regi√Ķes  administradas por Israel

1988

O governo Likud vence as elei√ß√Ķes

1989

Iniciativa de paz de quatro abordagens é proposta por Israel Início da imigração em massa de judeus da antiga União Soviética

1991

Israel √© atacado por m√≠sseis Scud iraquianos durante a Guerra do  Golfo 

Confer√™ncia de paz no Oriente M√©dio convocada em Madri  Opera√ß√£o Salom√£o: transporte a√©reo de judeus da Eti√≥pia

1992

Estabelecimento de rela√ß√Ķes diplom√°ticas com a China e √ćndia

 

 

 

Novo governo liderado por Yitzhak Rabin do Partido Trabalhista

1993

Declara√ß√£o de princ√≠pios sobre autogoverno provis√≥rio para os  palestinos assinado por Israel e OLP, como representante do povo  palestino (Acordos de Oslo)

1994

Implementa√ß√£o do autogoverno palestino na Faixa de Gaza e na  regi√£o de Jeric√≥ 

Rela√ß√Ķes diplom√°ticas plenas com a Santa S√© 

Escrit√≥rios diplom√°ticos de Marrocos e da Tun√≠sia s√£o estabelecidos Tratado de paz entre Israel e Jord√Ęnia √© assinado 

Rabin, Peres e Arafat recebem o Prêmio Nobel da Paz

1995

Amplia√ß√£o do autogoverno palestino implementado na Cisjord√Ęnia  e na Faixa de Gaza; elei√ß√£o do conselho palestino 

O primeiro-ministro Yitzhak Rabin √© assassinado em um com√≠cio de  paz 

Shimon Peres torna-se primeiro-ministro

1996

Aumento do terrorismo fundamentalista √°rabe contra Israel Opera√ß√£o Vinhas da Ira, em retalia√ß√£o aos ataques terroristas da  Hizbullah ao norte de Israel 

Escrit√≥rios de representa√ß√£o comercial estabelecidos em Om√£ e  Qatar 

Binyamin Netanyahu √© eleito primeiro-ministro; forma governo de  coaliz√£o liderado por Likud 

Escrit√≥rio de representa√ß√£o comercial de Om√£ √© inaugurado em Tel  Aviv

1997

Protocolo de Hebron assinado por Israel e pela AP

1998

Israel comemora seu 50¬ļ anivers√°rio

Israel e a OLP assinam o Memorando de Wye River para incentivar  a implementa√ß√£o do Acordo Provis√≥rio

1999

Ehud Barak (do partido de esquerda One Israel) √© eleito primeiro ministro; forma governo de coaliz√£o 

Israel e a OLP assinam o Memorando Sharm-e-Sheikh

2000

Visita do Papa Jo√£o Paulo II

Israel se retira da zona de seguran√ßa no sul do L√≠bano  Israel entra no grupo Europa Ocidental e Outros, da ONU  Mais viol√™ncia (Segunda Intifada) 

Primeiro-ministro Barak renuncia

2001

Ariel Sharon (Likud) eleito primeiro-ministro; forma amplo governo  de uni√£o 

Relat√≥rio de averigua√ß√£o do comit√™ do Sharm-e-Sheikh (Relat√≥rio  Mitchell) emitido 

Plano de trabalho palestino-israelense de implementa√ß√£o de  seguran√ßa (plano Tenet de cessar-fogo), √© proposto 

Rechavam Ze'evy, ministro do turismo, √© assassinado por  terroristas palestinos

2002

Israel lan√ßa a Opera√ß√£o Escudo Defensivo em resposta a enormes  ataques terroristas palestinos 

Israel come√ßa a construir o muro antiterrorista para impedir que  terroristas da Cisjord√Ęnia matem cidad√£os israelenses  O primeiro-ministro Sharon desmancha o Knesset, solicitando  novas elei√ß√Ķes a serem realizadas em 28 de janeiro de 2003

2003

O governo de coalizão direito direitista é formado pelo primeiro-

 

 

 

ministro Ariel Sharon

Israel aceita o roteiro

2005

Israel realiza o Plano de Desligamento, acabando com a presen√ßa  de Israel na Faixa de Gaza

2006

Ap√≥s o primeiro-ministro Sharon sofrer um derrame, Ehud Olmert  se torna primeiro-ministro 

As elei√ß√Ķes que se seguiram, em 28 de mar√ßo, o primeiro-ministro  Ehud Olmert forma novo governo liderado pelo Partido Kadima  Israel realiza opera√ß√Ķes militares contra os terroristas palestinos  em Gaza ap√≥s sequestro de soldado israelense 

A 2¬™ Guerra no L√≠bano, durante a qual Israel realiza opera√ß√Ķes  militares contra o terrorismo do Hezbollah no sul do L√≠bano, ap√≥s  ataques de m√≠sseis e o sequestro de dois soldados israelenses

2007

Shimon Peres é eleito Presidente do Knesset

Israel declara Gaza "territ√≥rio hostil" ap√≥s a violenta tomada da  Faixa de Gaza por Hamas

2008

Israel celebra seu 60¬ļ anivers√°rio; Israel lan√ßa sua Opera√ß√£o em  Gaza (Opera√ß√£o Chumbo Fundido) em resposta ao bombardeio de  mais de 10.000 m√≠sseis e morteiros disparados da Faixa de Gaza

2009

Benjamin Netanyahu √© eleito primeiro-ministro em elei√ß√Ķes  nacionais, realizadas em fevereiro de 2009, e forma um governo de  coaliz√£o de base ampla 

A cidade de Tel Aviv comemora seu 100¬ļ anivers√°rio

2010

Israel se junta √† Organiza√ß√£o para a Coopera√ß√£o e Desenvolvimento  Econ√īmicos (OCDE)

 

 

 

O ESTADO 

A Proclama√ß√£o do Estabelecimento do Estado de Israel, assinada em 14 de maio de 1948 por  membros do Conselho Nacional, representando a comunidade judaica no pa√≠s e o movimento  sionista no exterior, constitui o credo da na√ß√£o. Nele est√£o inclu√≠dos os imperativos hist√≥ricos  do renascimento de Israel, a estrutura de um estado judeu democr√°tico, baseado na liberdade,  justi√ßa e paz, tal como previsto pelos profetas b√≠blicos, e uma solicita√ß√£o por rela√ß√Ķes pac√≠ficas  com os Estados √°rabes vizinhos, para benef√≠cio de toda a regi√£o. 

...na multidão de conselheiros há segurança. (Provérbios 11:14)

 

 

O ESTADO 

Eretz Israel (Terra de Israel) foi o ber√ßo do povo judeu. Aqui, sua identidade espiritual, religiosa  e pol√≠tica foi moldada. Foi aqui que eles tornaram-se um Estado, criaram valores culturais de  signific√Ęncia nacional e universal e deram ao mundo o eterno Livro dos Livros. 

...os judeus lutaram gera√ß√£o ap√≥s gera√ß√£o para se restabelecerem em sua antiga terra natal.  ...eles fizeram desertos florescerem, reavivaram a l√≠ngua hebraica, constru√≠ram cidades e  povoados e criaram uma comunidade pr√≥spera, controlando sua pr√≥pria economia e cultura,  adorando a paz mas sabendo como se defender... 

O Estado de Israel ficar√° aberto para imigra√ß√£o judaica... fomentar√° o desenvolvimento do pa√≠s  para o benef√≠cio de todos os seus habitantes; ser√° baseado na liberdade, justi√ßa e paz  conforme imaginado pelos profetas de Israel; assegurar√° completa igualdade de direitos  sociais e pol√≠ticos a todos os seus habitantes independentemente de sua religi√£o, ra√ßa ou sexo;  garantir√° a liberdade de religi√£o, consci√™ncia, linguagem, educa√ß√£o e cultura; proteger√° os  locais santos de todas as religi√Ķes; e ser√° fiel aos princ√≠pios da Carta das Na√ß√Ķes Unidas. 

Estendemos nossa m√£o a todos os Estados vizinhos e seus povos, oferecendo paz e boa  vizinhan√ßa, e apelamos a eles que estabele√ßam la√ßos de coopera√ß√£o e ajuda m√ļtua com o  soberano povo judeu, estabelecido em sua pr√≥pria terra. 

(da Proclama√ß√£o do Estabelecimento do Estado de Israel) 

A bandeira do Estado de Israel √© baseada no desenho do xale de ora√ß√£o judaico (talit), com  um escudo azul de Davi (Magen Davi) 

O emblema oficial do Estado de Israel √© um candelabro (a menor√°), cujo formato diz-se ser  derivado do Mori√° de sete bra√ßos, uma planta conhecida desde a antiguidade. Os ramos de  oliveira em cada um dos lados representa o anseio de Israel pela paz. 

Hatikva – O hino nacional 

Enquanto no fundo do cora√ß√£o 

A alma de um judeu anseia, 

E, em dire√ß√£o ao oriente, 

Um olho contempla Si√£o, 

Nossa esperan√ßa ainda n√£o est√° perdida, 

A esperan√ßa de dois mil anos, 

De ser um povo livre em nossa terra, 

A terra de Sião e Jerusalém.

 

 

 

ESTRUTURA POL√ćTICA 

Presidentes de Israel 

Chaim Weizmann (1949 a 1952), l√≠der sionista, renomado cientista 

Yitzhak Ben- Zvi (1952 a 1963), diretor da Ag√™ncia Judaica, historiador 

Zalman Shazar (1963 a 1973), pol√≠tico, historiador, estudioso, autor, poeta  Efraim Katzir (1973 a 1978), renomado bioqu√≠mico 

Yitzhak Navon (1978 a 1983), pol√≠tico, educador, autor 

Chaim Herzog (1983 a 1993), advogado, general do ex√©rcito, diplomata, autor  Ezer Weizman (1993 a 2000), comandante da For√ßa A√©rea, pol√≠tico, empres√°rio  Moshe Katsav (2000 a 2007), l√≠der social, pol√≠tico 

Shimon Peres (2007 até hoje), estadista, o ex-primeiro-ministro, laureado do Prêmio Nobel da Paz.

 

Israel √© uma democracia parlamentar que consiste em poderes legislativo, executivo e judicial.  Suas institui√ß√Ķes s√£o: a presid√™ncia, o Knesset (parlamento), o governo (gabinete de ministros)  e o Judici√°rio. O sistema √© baseado no princ√≠pio da separa√ß√£o de poderes, em que o poder  executivo (o governo) est√° sujeito ao Poder Legislativo (o Knesset) e a independ√™ncia do poder  judicial √© garantida por lei.

 

 

Chefe de Estado

 

 

Presidente

 

Legislativo

Executivo

Judici√°rio

Representante

Primeiro-ministro

Sistema de juizados

Knesset

Governo

Procurador-geral

Comitês

Ministérios

 

Prefeitos e chefes de 

conselho

Controladoria e Ouvidoria do  Estado

 

Conselhos locais

 

 

 

Eleitorado

 

 

 

PRESID√äNCIA 

O nasi (presidente) tem o antigo t√≠tulo do chefe do Sin√©drio, o supremo √≥rg√£o legislativo e  judicial do povo judeu na Terra de Israel nos tempos antigos. O presidente √© o chefe de Estado,  e a presid√™ncia simboliza a unidade da na√ß√£o, acima e al√©m dos partidos pol√≠ticos. O  presidente √© eleito por maioria simples do Knesset entre candidatos nomeados com base em  seu prest√≠gio pessoal e em sua contribui√ß√£o para o Estado ao longo da vida. A legisla√ß√£o revista  (em 1998) prev√™ a elei√ß√£o do presidente para um √ļnico mandato de sete anos. 

As fun√ß√Ķes presidenciais, em sua maioria cerimoniais e formais, s√£o definidas por lei. Elas  incluem a abertura da primeira sess√£o de um novo Knesset; orientar um membro do Knesset  para formar um novo governo; aceitar as credenciais de embaixadores estrangeiros; assinar  tratados e leis aprovados pelo Knesset; nomear, por recomenda√ß√£o dos organismos  adequados, os chefes das miss√Ķes diplom√°ticas de Israel fora do pa√≠s, ju√≠zes, e o governador do  Banco de Israel; al√©m de perdoar prisioneiros, a conselho do ministro da justi√ßa. Al√©m disso, o  presidente desempenha fun√ß√Ķes p√ļblicas e tarefas informais, tais como ouvir apelos dos  cidad√£os, conferir prest√≠gio para organiza√ß√Ķes comunit√°rias e fortalecer campanhas para  melhorar a qualidade de vida da sociedade em geral.

 

 

LEGISLATIVO: KNESSET 

O Knesset (parlamento unicameral israelense) √© o √≥rg√£o legislativo do pa√≠s. O nome e o  n√ļmero fixo de 120 membros do Knesset v√™m da Knesset Hagedolah (Grande Assembleia),  representante do Conselho Judaico convocada em Jerusal√©m por Esdras e Neemias no s√©culo V  AEC 

Um novo Knesset passa a funcionar ap√≥s as elei√ß√Ķes gerais, que determinam sua composi√ß√£o.  Na primeira sess√£o, os membros do Knesset declaram sua lealdade, e os representantes e vice representantes do Knesset s√£o eleitos. O Knesset normalmente dura quatro anos, mas pode  dissolver-se ou ser dissolvido pelo primeiro-ministro a qualquer momento durante seu  mandato. At√© que um novo Knesset seja formalmente constitu√≠do ap√≥s as elei√ß√Ķes, o antigo  Knesset ret√©m plena autoridade. 

O Knesset funciona em sess√Ķes plen√°rias e atrav√©s de 15 comiss√Ķes permanentes. Nas sess√Ķes  plen√°rias, debates gerais s√£o realizados sobre a legisla√ß√£o apresentada pelo governo ou por  membros individuais do Knesset, assim como sobre a pol√≠tica e atividades do governo. Os  debates s√£o realizados em hebraico, mas os membros podem falar √°rabe, pois as duas s√£o  l√≠nguas oficiais. H√° tradu√ß√£o simult√Ęnea dispon√≠vel. 

Para se tornar uma lei, um projeto de lei estatal deve passar por tr√™s leituras no Knesset  (enquanto projetos de lei particulares passam por quatro leituras). Na primeira leitura, o  projeto √© apresentado ao plen√°rio; em seguida, h√° um breve debate sobre seu conte√ļdo, e  ent√£o ele √© remetido √† comiss√£o apropriada do Knesset para discuss√£o detalhada e  reformula√ß√£o, se necess√°rio. Quando a comiss√£o concluir seu trabalho, o projeto √© devolvido  ao plen√°rio para segunda leitura; nesse momento, os membros da comiss√£o que tiverem  reservas podem apresent√°-las ao plen√°rio. Ap√≥s um debate geral, cada artigo do projeto de lei  √© submetido para vota√ß√£o e, a menos que necess√°rio devolv√™-lo novamente √† comiss√£o, a  terceira leitura ocorre imediatamente, e h√° uma vota√ß√£o sobre o projeto como um todo. Se o  projeto for aprovado, √© assinado pelo orador que preside e √© posteriormente publicado no  Di√°rio Oficial, com as assinaturas do presidente, primeiro-ministro, orador do Knesset e do  ministro respons√°vel pela implementa√ß√£o da lei. Finalmente, o selo do Estado √© afixado a ele  pelo ministro da justi√ßa, e o projeto de lei torna-se lei.

 

 

EXECUTIVO: GOVERNO 

Primeiros-ministros de Israel 

David Ben-Gurion (1948-54) 

Moshe Sharett (1954 a 1955) 

David Ben-Gurion (1955-63) 

Levi Eshkol (1963 a 1969) 

Golda Meir (1969 a 1974) 

Yitzhak Rabin (1974-77) 

Menachem Begin (1977 a 1983) 

Yitzhak Shamir (1983-84) 

Shimon Peres (1984-86) 

Yitzhak Shamir (1986-92) 

Yitzhak Rabin (1992-95) 

Shimon Peres (1995-96) 

Benjamin Netanyahu (1996 a 1999) 

Ehud Barak (1999 a 2001) 

Ariel Sharon (2001 a 2006) 

Ehud Olmert (2006 a 2009) 

Benjamin Netanyahu (2009 at√© hoje) 

 

A autoridade executiva do Estado √© o governo (gabinete de ministros), encarregado de  administrar assuntos internos e externos, incluindo quest√Ķes de seguran√ßa. Seus poderes de  cria√ß√£o de pol√≠tica s√£o muito amplos, e √© autorizado a tomar medidas sobre qualquer assunto  que n√£o seja responsabilidade legal de outra autoridade. 

O gabinete determina o seus pr√≥prios processos de trabalho e tomada de decis√£o.  Normalmente, se re√ļne uma vez por semana, mas podem ocorrer reuni√Ķes adicionais  conforme necess√°rio. Ele tamb√©m pode atuar por meio de comit√™s ministeriais. 

Forma√ß√£o de um governo: Todos os governos at√© hoje foram baseados em coaliz√Ķes de v√°rios  partidos, j√° que jamais algum partido recebeu assentos suficientes no Knesset para formar um  governo sozinho.

Ap√≥s consultas, o presidente apresenta a um membro do Knesset a responsabilidade de  formar um governo. Para isso, esse membro do Knesset tem de apresentar, dentro de 28 dias  ap√≥s receber a responsabilidade pela forma√ß√£o de um governo, uma lista de ministros para  aprova√ß√£o do Knesset, juntamente com um resumo das diretrizes propostas pelo governo.  Todos os ministros devem ser cidad√£os israelenses e morar em Israel, e todos devem ser  membros do Knesset. 

Uma vez aprovados, os ministros s√£o respons√°veis perante o primeiro-ministro pelo  cumprimento de seus deveres e respons√°veis perante o Knesset por suas a√ß√Ķes. A maioria dos  ministros recebe uma carteira e a chefia de um minist√©rio; os ministros que trabalharem sem  carteira podem ser chamados a assumir a responsabilidade por projetos especiais. O primeiro ministro tamb√©m pode ser ministro de um portf√≥lio espec√≠fico. 

Os ministros, com a aprova√ß√£o do primeiro-ministro e do governo, podem nomear um vice ministro para seu minist√©rio; todos eles devem ser membros do Knesset. 

Assim como o Knesset, o governo geralmente dura quatro anos, mas pode durar menos em  caso de ren√ļncia, incapacidade ou morte do primeiro-ministro, ou se houver um voto de n√£o  confian√ßa por parte do Knesset. 

Se o primeiro-ministro for incapaz de continuar no cargo devido √† morte, incapacidade,  ren√ļncia ou impeachment, o governo nomeia um de seus membros (que deve ser um membro  do Knesset) como primeiro-ministro em exerc√≠cio. No caso de um voto de n√£o confian√ßa, o  governo e o primeiro-ministro permanecer√£o em seus cargos at√© que um novo governo seja  formado. 

Procurador geral 

As atividades jur√≠dicas do governo s√£o chefiadas pelo procurador-geral, quem det√©m o poder  exclusivo de representar o Estado em todas as principais quest√Ķes criminais, civis e  administrativas. O governo √© obrigado a abster-se de qualquer a√ß√£o que seja ilegal, na opini√£o  do procurador-geral, contanto que os tribunais n√£o determinem o contr√°rio. 

Embora nomeado pelo governo, o procurador-geral trabalha independentemente do sistema  pol√≠tico. 

Elei√ß√Ķes 

As elei√ß√Ķes s√£o gerais, nacionais, diretas, igualit√°rias, secretas e proporcionais. O pa√≠s como  um todo constitui um √ļnico c√≠rculo eleitoral, e todos os cidad√£os t√™m direito a voto a partir dos  18 anos. No dia da elei√ß√£o, os eleitores votam em um partido pol√≠tico, que vai represent√°-los  no Knesset. 

O dia da elei√ß√£o √© feriado nacional, e h√° transporte gratuito dispon√≠vel para os eleitores  estiverem fora de seu distrito de vota√ß√£o naquele dia; h√° sess√Ķes eleitorais para os militares,  pacientes de hospital, e presidi√°rios, assim como para marinheiros mercantes e israelenses em  miss√£o oficial no exterior.

A Comiss√£o Eleitoral Central, chefiada por um juiz da Suprema Corte e incluindo  representantes dos partidos com assentos no Knesset, √© respons√°vel pelas elei√ß√Ķes. Comiss√Ķes  eleitorais regionais supervisionam o bom funcionamento dos comit√™s eleitorais locais, que  incluem representantes de pelo menos tr√™s partidos do Knesset que est√° sendo substitu√≠do. 

Em cada elei√ß√£o at√© hoje, entre 77% e 90% de todos os eleitores registrados votaram,  expressando o grande interesse da maioria dos israelenses em sua pol√≠tica nacional e local. 

As elei√ß√Ķes do Knesset s√£o baseadas em um voto em um partido, e n√£o em indiv√≠duos, e os  diversos partidos pol√≠ticos que se candidatam para o Knesset refletem uma ampla gama de  vis√Ķes e cren√ßas.

 

 

PODER JUDICI√ĀRIO 

A independ√™ncia do poder judici√°rio √© garantida por lei. Os ju√≠zes s√£o nomeados pelo  presidente, por recomenda√ß√£o de um comit√™ de indica√ß√Ķes composto por ju√≠zes da Suprema  Corte, membros do tribunal e figuras p√ļblicas. As nomea√ß√Ķes s√£o permanentes, com  aposentadoria compuls√≥ria aos 70 anos. 

Leis da Terra 

Ap√≥s sua independ√™ncia (em 1948), Israel aprovou a Portaria de Lei e Administra√ß√£o,  estipulando que as leis vigentes no pa√≠s antes da cria√ß√£o do Estado permaneceriam em vigor  contanto que n√£o contradissessem os princ√≠pios consagrados na Proclama√ß√£o do  Estabelecimento do Estado de Israel e n√£o entrassem em conflito com as leis a serem  promulgadas pelo Knesset. Assim, o sistema legal inclui elementos da lei otomana (em vigor  at√© 1917), leis do Mandato Brit√Ęnico, que incorporam um grande corpo de leis inglesas,  elementos da lei religiosa judaica e alguns aspectos de outros sistemas. 

No entanto, a caracter√≠stica dominante do sistema jur√≠dico √© o grande corpus de leis  estatut√°rias e jurisprud√™ncia independentes, que v√™m evoluindo desde 1948. Ap√≥s o  estabelecimento do Estado, o Knesset passou a ter poder para editar uma s√©rie de leis b√°sicas,  relativas a todos os aspectos da vida, que acabam por formar uma Constitui√ß√£o. Muitas leis  b√°sicas foram aprovadas, delineando as caracter√≠sticas fundamentais de um governo, como: o  presidente, o Knesset, o governo, o poder judici√°rio, as For√ßas de Defesa de Israel, a  controladoria do Estado, Liberdade de Ocupa√ß√£o e Dignidade e Liberdade Humanas (que trata  de viola√ß√£o da vida, √≥rg√£o ou dignidade de uma pessoa).

 

O sistema de juizados

Juizados especiais (um s√≥  juiz)

Juizados de trabalho, tr√°fego, menores, militar e municipal, com  jurisdi√ß√£o claramente definida; tribunais administrativos.

Tribunais religiosos (um  ou tr√™s ju√≠zes)

Jurisdi√ß√£o em quest√Ķes de estatuto pessoal (casamento, div√≥rcio,  manuten√ß√£o, tutela, ado√ß√£o), sob o controle de institui√ß√Ķes  judiciais das respectivas comunidades religiosas: Tribunais judeus  rab√≠nicos, tribunais sharia mu√ßulmanos, tribunais religiosos  drusos, tribunais eclesi√°sticos das dez comunidades crist√£s  reconhecidas em Israel.

Tribunal de magistrados  (um s√≥ juiz)

Infra√ß√Ķes penais civis e pequenas; jurisdi√ß√£o em processos civis e  criminais.

Tribunal distrital (um ou  tr√™s ju√≠zes)

Jurisdi√ß√£o de apela√ß√£o sobre os tribunais magistrados; jurisdi√ß√£o  original em casos civis e criminais mais importantes.

Supremo Tribunal de  Justi√ßa ( 1, 3, 5 ou mais  ju√≠zes, sempre em 

n√ļmero √≠mpar)

Jurisdi√ß√£o de apela√ß√£o final em todo o pa√≠s; direito de tratar de  quest√Ķes quando necess√°rio, e intervir em prol da justi√ßa;  autoridade para liberar pessoas detidas ou presas ilegalmente;  serve como Tribunal Superior de Justi√ßa, ouve peti√ß√Ķes contra  qualquer √≥rg√£o do governo ou agente e √© o tribunal de primeira e  √ļltima inst√Ęncia.

 

 

A superioridade normativa das leis b√°sicas sobre a legisla√ß√£o normal foi confirmada em 1995,  quando a Suprema Corte assumiu o poder de revis√£o judicial da legisla√ß√£o Knesset, violando  uma Lei B√°sica. 

Ao longo dos anos, um corpo de jurisprud√™ncia tem sido desenvolvido atrav√©s de decis√Ķes da  Suprema Corte, protegendo as liberdades civis, incluindo a liberdade de express√£o, liberdade  de reuni√£o, liberdade de religi√£o, e a igualdade como valores fundamentais do sistema jur√≠dico  de Israel. Como Tribunal Superior de Justi√ßa, a Suprema Corte tamb√©m recebe peti√ß√Ķes de  indiv√≠duos para a repara√ß√£o em rela√ß√£o a qualquer √≥rg√£o ou agente do governo. 

O Gabinete da Controladoria do Estado, estabelecido por lei (1949) para assegurar a  presta√ß√£o p√ļblica de contas, realiza auditoria e relat√≥rios externos sobre a legalidade,  regularidade, economia, efic√°cia, efici√™ncia e integridade moral da administra√ß√£o p√ļblica.  Desde 1971, a controladoria do Estado tamb√©m serve como provedor de justi√ßa, recebendo  queixas do p√ļblico contra o Estado ou entidades p√ļblicas sujeitas √† auditoria da controladoria.  A controladoria do Estado √© eleita pelo Knesset em vota√ß√£o secreta para um mandato de sete  anos e presta contas somente ao Knesset. O escopo da auditoria do Estado inclui as atividades  de todos os minist√©rios, as institui√ß√Ķes estatais, os setores do sistema de defesa, autoridades  locais, empresas do governo, etc. Al√©m disso, a controladoria do Estado est√° habilitada por lei  a fiscalizar os assuntos financeiros dos partidos pol√≠ticos representados no Knesset, al√©m de  suas contas de campanha eleitoral, impondo san√ß√Ķes monet√°rias quando irregularidades s√£o  encontradas. 

Pol√≠cia de Israel 

Assim como as pol√≠cias de outros pa√≠ses, a tarefa da pol√≠cia de Israel √© manter a qualidade de  vida, combater o crime, ajudar as autoridades a aplicar a lei e fazer cumprir as regras de  tr√Ęnsito, al√©m de orientar quanto a medidas preventivas para a seguran√ßa e prote√ß√£o da  popula√ß√£o. 

A principal for√ßa tarefa m√≥vel da pol√≠cia, a Pol√≠cia de Fronteiras, lida principalmente com  problemas de seguran√ßa interna e inclui uma unidade antiterrorista especial. A frequ√™ncia e  amea√ßa de incidentes terroristas levaram cidad√£os interessados a participar ativamente na  prote√ß√£o de suas comunidades. Assim, uma guarda civil volunt√°ria foi estabelecida (em 1974)  para manter unidades de seguran√ßa em bairros, incluindo centros de comando, patrulhas  armadas e programas de treinamento.

 

GOVERNO LOCAL 

Os servi√ßos prestados pelo governo local incluem educa√ß√£o, cultura, sa√ļde, assist√™ncia social,  manuten√ß√£o de estradas, parques p√ļblicos, √°gua e saneamento. Cada autoridade local  trabalha com regulamenta√ß√Ķes que complementam a legisla√ß√£o nacional, aprovadas pelo  Minist√©rio do Interior. Algumas autoridades t√™m tribunais especiais em que os transgressores  locais s√£o julgados. A verba das autoridades locais vem de impostos locais e de aloca√ß√Ķes do  or√ßamento do Estado. Toda autoridade tem um controlador que prepara um relat√≥rio anual. 

A lei reconhece tr√™s tipos de autoridades locais: munic√≠pios, com estrutura para centros  urbanos com popula√ß√£o superior a 20.000; conselhos locais, que gerem cidades com  popula√ß√£o entre 2.000 e 20.000; e conselhos regionais, respons√°veis por v√°rias aldeias  agrupadas em um determinado raio. 

Cada autoridade local √© administrada por um prefeito ou presidente e um conselho. O n√ļmero  de membros do conselho √© determinado pelo Minist√©rio do Interior, de acordo com a  popula√ß√£o da autoridade. Atualmente, existem 73 munic√≠pios, 124 conselhos locais e 54  conselhos regionais. Todos os munic√≠pios e os conselhos locais est√£o unidos voluntariamente  em um corpo central, a Uni√£o das Autoridades Locais, que os representa perante o governo,  supervisiona a legisla√ß√£o pertinente no Knesset e orienta em quest√Ķes como acordos de  trabalho e assuntos jur√≠dicos. Filiada √† Associa√ß√£o Internacional de Munic√≠pios, a uni√£o  mant√©m la√ßos com organiza√ß√Ķes semelhantes em todo o mundo, e organiza programas de  cidades g√™meas e interc√Ęmbio de delega√ß√Ķes internacionais. 

Elei√ß√Ķes locais 

As elei√ß√Ķes governos locais s√£o realizadas por voto secreto a cada cinco anos. Todos os  residentes permanentes, sejam eles cidad√£os israelenses ou n√£o, podem votar nas elei√ß√Ķes  locais a partir dos 17 anos e serem eleitos a partir dos 21 anos. Nas elei√ß√Ķes para os conselhos  municipais e locais, as vota√ß√Ķes s√£o realizadas de acordo com uma lista partid√°ria de  candidatos, e o n√ļmero de assentos do conselho obtido por cada lista √© proporcional √†  porcentagem de votos recebidos. Prefeitos e presidentes de conselhos locais s√£o eleitos  diretamente. 

Nas elei√ß√Ķes regionais do conselho, um candidato de cada aldeia √© eleito por maioria simples,  e os eleitos tornam-se membros do conselho. Os chefes de conselhos regionais s√£o escolhidos  dentre os membros do conselho regional. 

As elei√ß√Ķes locais recebem verbas governamentais, com base no n√ļmero de mandatos que  cada fac√ß√£o ou lista ganha na autoridade local.

 

 

FOR√áAS DE DEFESA DE ISRAEL (FDI) 

As FDI, fundadas em 1948, est√£o entre as for√ßas armadas mais experientes em batalhas no  mundo, tendo participado de seis grandes guerras. Os objetivos de seguran√ßa das FDI s√£o:  defender a soberania e a integridade territorial do Estado de Israel, deter todos os inimigos, e  coibir todas as formas de terrorismo que ameacem a vida di√°ria. Suas principais tarefas  incluem a consolida√ß√£o de acordos de paz, garantir a seguran√ßa geral na Cisjord√Ęnia em  coordena√ß√£o com a Autoridade Palestina; liderar a guerra contra o terrorismo, tanto dentro de  Israel quanto al√©m de suas fronteiras, e manter a capacidade de impedir o in√≠cio da viol√™ncia. 

Para assegurar seu sucesso, a doutrina das FDI em termos de estrat√©gia √© defensiva, enquanto  suas t√°ticas s√£o ofensivas. Como o pa√≠s n√£o possui profundidade territorial, as FDI devem  tomar a iniciativa quando necess√°rio e, se houver ataques, rapidamente levar a batalha para o  territ√≥rio do inimigo. Embora esteja sempre em menor n√ļmero do que seus inimigos, as FDI  possuem vantagem qualitativa, desenvolvendo sistemas de armas avan√ßadas, dos quais muitos  s√£o desenvolvidos e fabricados em Israel para suas necessidades espec√≠ficas. O principal  recurso das FDI, no entanto, √© o alto calibre de seus soldados. 

Na prepara√ß√£o para a defesa, as FDI lan√ßa um pequeno ex√©rcito (composto de recrutas e de  pessoal de carreira) com capacidade de alerta precoce, e uma for√ßa a√©rea e marinha regulares.  A maioria de suas for√ßas √© composta por reservistas, chamados regularmente para  treinamento e servi√ßo e que, em tempos de guerra ou de crise, s√£o mobilizados rapidamente  para suas unidades a partir de todas as partes do pa√≠s. 

As tr√™s subdivis√Ķes de servi√ßo das FDI (for√ßas terrestres, for√ßa a√©rea e marinha) funcionam sob  um comando unificado, liderado pelo Chefe do Estado-Maior Geral, com a patente de tenente general, respons√°vel perante o ministro da defesa. O Chefe do Estado-Maior Geral √© nomeado  pelo governo, por recomenda√ß√£o do primeiro-ministro e do ministro da defesa, para um 

mandato de tr√™s anos, normalmente prorrogado por mais um ano. 

Soldados do sexo masculino e feminino de todas as classes servem lado a lado como t√©cnicos,  especialistas em comunica√ß√£o e intelig√™ncia, instrutores de combate, cart√≥grafos, pessoal  administrativo e de muni√ß√Ķes, operadores de computador, m√©dicos, advogados, etc. Cada vez  mais mulheres tamb√©m est√£o servindo em unidades de combate. 

As FDI observam as necessidades culturais e sociais de seus soldados, proporcionando  atividades recreativas e educativas, al√©m de servi√ßos de apoio pessoal. Recrutas com forma√ß√£o  incompleta recebem oportunidades para melhorar seu n√≠vel de educa√ß√£o, e oficiais de carreira  s√£o incentivados a estudar por conta das FDI durante seus servi√ßos. A integra√ß√£o de novos  imigrantes √© facilitada atrav√©s do ensino do idioma hebraico e outros programas. 

Ativas em atividades de constru√ß√£o da na√ß√£o desde seu in√≠cio, as FDI tamb√©m proporcionam  educa√ß√£o supletiva a popula√ß√Ķes civis e contribuem para a absor√ß√£o de rec√©m-chegados entre  a popula√ß√£o. Em tempos de crise ou emerg√™ncia nacional, as FDI respondem imediatamente,

tomando as medidas apropriadas e designando pessoal especializado para exercer fun√ß√Ķes  essenciais ou tarefas especiais. 

TERMOS DE SERVI√áO NAS FDI 

Servi√ßo obrigat√≥rio: Todos os homens e mulheres eleg√≠veis s√£o convocados aos 18 anos. Os  homens servem durante tr√™s anos, as mulheres por dois anos. Adiamentos podem ser  concedidos a estudantes qualificados em institui√ß√Ķes de ensino superior. Novos imigrantes  podem ser dispensados ou servir por per√≠odos mais curtos, dependendo de sua idade e estado  civil ao entrar no pa√≠s. 

Dever de reserva: Ap√≥s a conclus√£o do servi√ßo obrigat√≥rio, cada soldado √© atribu√≠do a uma  unidade de reserva e pode servir at√© os 51 anos. 

Servi√ßo militar de carreira: Veteranos do servi√ßo obrigat√≥rio que atendam √†s necessidades  atuais das FDI podem tornar-se oficiais de carreira. O servi√ßo de carreira constitui a espinha  dorsal de comando e administra√ß√£o das FDI. Aqueles formados pelas escolas de oficiais, pilotos  ou das escolas t√©cnicas militares s√£o obrigados a completar per√≠odos de servi√ßo de carreira.

 

 

TERRA 

Israel √© um pa√≠s pequeno, estreito e semi√°rido na costa sudeste do Mar Mediterr√Ęneo. Entrou  na hist√≥ria h√° aproximadamente 35 s√©culos, quando o povo judeu deixou o seu modo de vida  n√īmade, estabeleceu-se na Terra e tornou-se uma na√ß√£o. Ao longo dos anos, a Terra era  conhecida por muitos nomes: Eretz Yisrael (Terra de Israel); Si√£o, uma das colinas de  Jerusal√©m, que passou a conotar tanto a cidade quanto a Terra de Israel como um todo;  Palestina, derivado de Filisteia, e utilizado pela primeira vez pelos romanos; a Terra Prometida;  e a Terra Santa, entre outros. No entanto, para a maioria dos israelenses de hoje, o pa√≠s √©  simplesmente Haaretz – a Terra. Mais de 7,6 milh√Ķes de pessoas vivem hoje em Israel;  aproximadamente 5,7 milh√Ķes s√£o judeus e 1,5 milh√Ķes s√£o √°rabes. H√° v√°rios tipos de estilos  de vida no pa√≠s, tanto religioso quanto secular; tanto moderno quanto tradicional; tanto  urbano quanto rural; tanto em comunidades quanto para cada indiv√≠duo. 

... uma terra que emana leite e mel... (Êxodo 3:8)

 

 

GEOGRAFIA 

√Ārea pequena; curtas dist√Ęncias 

A √°rea total do Estado de Israel √© 8.522,04 milhas quadradas (22.072 quil√īmetros quadrados),  dentre os quais 8.356,40 milhas quadradas (21.643 km quadrados) s√£o terra. Israel tem  aproximadamente 470 km (290 milhas) de comprimento e aproximadamente 85 milhas (135  km) de largura em seu ponto mais largo. O pa√≠s faz fronteira com o L√≠bano ao norte, com a S√≠ria  a nordeste, com a Jord√Ęnia a leste, com o Egito a sudoeste e com o Mar Mediterr√Ęneo a oeste. 

A dist√Ęncia entre montanhas e plan√≠cies, terras f√©rteis, e o deserto √© muito curta. A largura do  pa√≠s, a partir do Mar Mediterr√Ęneo, a oeste, at√© o Mar Morto, a leste, pode ser cruzada de  carro em aproximadamente 90 minutos; a viagem de Metula, ao extremo norte, at√© Eilat, ao  extremo sul do pa√≠s leva cerca de seis horas. 

Caracter√≠sticas geogr√°ficas 

Israel pode ser dividido em quatro regi√Ķes geogr√°ficas: tr√™s faixas paralelas de norte a sul e  uma vasta zona, quase toda √°rida, na metade sul. 

A plan√≠cie costeira √© paralela ao Mar Mediterr√Ęneo e √© composta por uma faixa arenosa,  rodeada por terrenos f√©rteis que chegam a 25 milhas (40 km) no interior do pa√≠s. 

No norte, praias arenosas s√£o √†s vezes pontuadas por calc√°rio e rochedos de arenito. A  plan√≠cie costeira √© onde mais da metade da popula√ß√£o de Israel vive, e inclui grandes centros  urbanos, portos de √°guas profundas, a maioria das ind√ļstrias do pa√≠s, e grande parte de sua  agricultura e turismo. 

V√°rias cadeias de montanhas atravessam o pa√≠s. No nordeste, as paisagens de basalto das  Colinas de Gol√£, formadas por erup√ß√Ķes h√° muito tempo, formam penhascos √≠ngremes com  vista para o Vale do Hula. As montanhas da Galileia, em grande parte compostas por calc√°rio  macio e dolomita, chegam a alturas de 1.600 a 4.000 p√©s (500 a 1.200 m) acima do n√≠vel do  mar. Pequenos c√≥rregos perenes e um √≠ndice pluviom√©trico relativamente elevado mant√™m a  regi√£o verde durante todo o ano. Muitos moradores da Galileia e do Gol√£ est√£o envolvidos  com agricultura, turismo e ind√ļstria leve. 

O Vale do Jezreel, entre as montanhas da Galileia e da Samaria, √© a mais rica √°rea agr√≠cola de  Israel, cultivada por muitas comunidades cooperativas (kibutzim e moshavim). As colinas  arredondadas da Samaria e Judeia (Cisjord√Ęnia) apresentam um mosaico de cumes rochosos e  vales f√©rteis, pontilhados por antigos pomares e oliveiras verdes e acinzentadas. Os socalcos,  lavrados por agricultores na antiguidade, misturam-se √† paisagem natural. A popula√ß√£o se  concentra principalmente em pequenos centros urbanos e grandes aldeias. 

O Neguev, compreendendo aproximadamente metade da superf√≠cie de Israel, √© pouco  habitado, e sua popula√ß√£o √© sustentada por uma economia agr√≠cola e industrial. Mais ao sul, o  Neguev torna-se uma zona √°rida, caracterizada por colinas e plan√≠cies de arenito baixo, com  muitos desfiladeiros e vales, muitas vezes inundados pelas chuvas de inverno. Ainda mais ao

sul, a regi√£o d√° lugar a uma √°rea de picos escarpados nus, crateras, e plat√īs rochosos, onde o  clima √© mais seco e as montanhas s√£o mais altas. Tr√™s crateras erosivas, a maior delas com  cerca de 5 milhas (8 km) de di√Ęmetro e 21 milhas (35 km) de comprimento, cortam  profundamente a crosta terrestre, exibindo v√°rias cores e tipos de rochas. Na ponta do  Neguev, perto de Eilat, no Mar Vermelho, eleva√ß√Ķes de granito cinza e vermelho s√£o cortadas  por penhascos secos e rochedos √≠ngremes, com coloridas camadas de arenito que  resplandecem √† luz do sol. 

O lago Kineret (Mar da Galileia), entre os montes da Galileia e as Colinas de Gol√£, a 695 p√©s  (212 metros) abaixo do n√≠vel do mar, tem 8 km (5 milhas) de largura e 21 km (13 milhas) de  comprimento. √Č o maior lago de Israel, e √© o principal reservat√≥rio de √°gua do pa√≠s. Ao longo  das margens do Lago Kineret ficam alguns locais de import√Ęncia hist√≥rica e religiosa, assim  como comunidades agr√≠colas, de pesca e de turismo. 

O Vale do Jord√£o e o Arava, na regi√£o leste do pa√≠s, fazem parte da Fenda S√≠rio-Africana, que  dividiu a crosta terrestre h√° milh√Ķes de anos. O norte √© extremamente f√©rtil, enquanto o sul √©  semi√°rido. Agricultura, pesca, ind√ļstria leve e turismo s√£o as principais fontes de renda da  regi√£o. 

O rio Jord√£o, que corre de norte a sul atrav√©s da Fenda, desce mais de 2.300 p√©s (700 metros)  ao longo de suas 186 milhas (300 km). Alimentado por c√≥rregos vindos do Monte Hermon, ele  atravessa o f√©rtil vale do Hula at√© o Lago Kineret, continuando a serpentear atrav√©s do vale do  Jord√£o at√© desaguar no Mar Morto. Embora seu volume aumente durante o inverno chuvoso,  o rio normalmente √© bastante estreito e raso. 

O Arava, regi√£o de cerrado de Israel, come√ßa ao sul do Mar Morto e chega at√© o Golfo de Eilat,  a sa√≠da de Israel ao Mar Vermelho. A adapta√ß√£o de t√©cnicas agr√≠colas sofisticadas √†s condi√ß√Ķes  clim√°ticas, onde a precipita√ß√£o m√©dia anual √© de menos de uma polegada (25 mm) e no ver√£o 

as temperaturas sobem at√© 104° F (40° C), tornou poss√≠vel a cria√ß√£o de frutas e legumes fora  de √©poca, principalmente para exporta√ß√£o. O golfo subtropical de Eilat, conhecido por suas  profundas √°guas azuis, recifes de coral e vida marinha ex√≥tica, fica na ponta sul do Arava. 

O Mar Morto, o ponto mais baixo da terra, a aproximadamente 1.300 p√©s (400 metros) abaixo  do n√≠vel do mar, fica no extremo sul do Vale do Jord√£o. Suas √°guas, que apresentam o mais  elevado n√≠vel de salinidade e densidade no mundo, s√£o ricas em pot√°ssio, magn√©sio e bromo,  assim como em sais industriais e de mesa. O ritmo natural de recess√£o do Mar Morto tem sido  acelerado nos √ļltimos anos devido a uma taxa de evapora√ß√£o muito alta (5 p√©s ou 1,6 m  anualmente) e a grandes projetos de desvios de Israel e da Jord√Ęnia, para suprir suas  necessidades de √°gua, causando uma redu√ß√£o de 75% no fluxo de entrada de √°gua. Como  resultado, o n√≠vel da superf√≠cie do Mar Morto caiu aproximadamente 35 p√©s (10,6 m) desde  1960. Um projeto para ligar o Mar Morto ao Mar Mediterr√Ęneo atrav√©s de um sistema de  canais e tubula√ß√£o pode ajudar a restaurar o Mar Morto √†s suas dimens√Ķes e n√≠vel naturais,  est√° sendo estudado.

 

 

Clima 

O clima de Israel vai de temperado a tropical, com muito sol. H√° duas esta√ß√Ķes distintas  predominantes: um per√≠odo de inverno chuvoso, de novembro a maio, e um ver√£o seco, que  dura os seis meses seguintes. A precipita√ß√£o √© relativamente volumosa no norte e no centro  do pa√≠s, bem menos no norte do Neguev e com valores quase insignificantes na regi√£o sul. As  condi√ß√Ķes regionais variam consideravelmente, com ver√Ķes √ļmidos e invernos suaves na  costa, ver√Ķes secos e invernos moderadamente frios nas regi√Ķes montanhosas (incluindo  Jerusal√©m), ver√Ķes quentes e secos e invernos agrad√°veis no vale do Jord√£o, e condi√ß√Ķes  semides√©rticas durante todo o ano em Neguev. Os extremos clim√°ticos variam de neve do  inverno, ocasionalmente, em altitudes mais elevadas, at√© ventos quentes e secos  periodicamente, aumentando muito as temperaturas, principalmente na primavera e no  outono. 

√Āgua 

Localizado na extremidade de um deserto, Israel sempre sofreu com a escassez de √°gua.  Descobertas arqueol√≥gicas no Neguev e em outras partes do pa√≠s revelam que milhares de  habitantes do local j√° estavam preocupados com a conserva√ß√£o da √°gua h√° milhares de anos  atr√°s, conforme revelado por uma variedade de sistemas, projetados tanto para coletar e  armazenar a √°gua da chuva e quanto para transferi-la de um local a outro. 

O total anual de recursos h√≠dricos renov√°veis chega a aproximadamente 60 bilh√Ķes de p√©s  c√ļbicos (1,7 bilh√Ķes de metros c√ļbicos), dos quais aproximadamente 56% s√£o utilizados para a  irriga√ß√£o e o restante para fins urbanos e industriais. As fontes de √°gua do pa√≠s incluem o rio  Jord√£o, o lago Kineret e alguns rios menores. Fontes naturais e len√ß√≥is de √°gua subterr√Ęneos,  canalizados em quantidades controladas para evitar a exaust√£o e a saliniza√ß√£o, tamb√©m s√£o  utilizados. 

Como as fontes de √°gua doce j√° foram utilizadas ao m√°ximo, est√£o sendo desenvolvidas  formas de explora√ß√£o de recursos h√≠dricos adicionais atrav√©s da reciclagem de √°guas residuais,  da semeadura de nuvens, da dessaliniza√ß√£o de √°gua salobra, e da dessaliniza√ß√£o da √°gua do  mar. 

Para superar os desequil√≠brios regionais na disponibilidade de √°gua, a maioria das fontes  pot√°veis de Israel est√° reunida em uma rede integrada. Sua art√©ria principal, a Transportadora  Nacional de √Āguas, conclu√≠da em 1964, traz a √°gua das regi√Ķes norte e central, atrav√©s de uma  rede de tubos gigantes, aquedutos, canais abertos, reservat√≥rios, t√ļneis, barragens e esta√ß√Ķes  de bombeamento, para o sul semi√°rido.

 

 

NATUREZA 

Flora e fauna 

A vida vegetal e animal de Israel √© rica e diversificada, em parte devido √† localiza√ß√£o geogr√°fica  do pa√≠s, que fica na jun√ß√£o de tr√™s continentes. Aproximadamente 2.600 tipos de plantas  foram identificados, desde esp√©cies alpinas nas encostas das montanhas do norte at√© esp√©cies  do Saara, na Arava, no sul. Israel √© o limite setentrional para a presen√ßa de plantas como o  papiro e o limite meridional para os outras, como a pe√īnia vermelho coral. 

Florestas naturais, que consistem principalmente de carvalhos-dourados, cobrem parte da  Galileia, do Monte Carmelo e outras √°reas montanhosas. Na primavera, a esteva e giesta  espinhosa predominam, deixando a regi√£o com as cores rosa, branco e amarelo. 

H√° madressilva sobre arbustos e as √°rvores fornecem sombra ao longo dos c√≥rregos de √°gua  doce da Galileia. 

Nos planaltos do Neguev, cresce o pistache atl√Ęntico ao longo dos vales secos, e h√° tamareiras  em qualquer lugar onde haja √°gua subterr√Ęnea suficiente. 

Muitas flores cultivadas, como √≠ris, l√≠rios, tulipas e jacintos, t√™m parentes silvestres em Israel.  Logo ap√≥s as primeiras chuvas em Outubro e Novembro, o pa√≠s √© coberto por um tapete verde  que dura at√© o retorno do ver√£o seco. Ciclamens rosas e brancos e an√™monas vermelhas,  brancas e roxas florescem de dezembro a mar√ßo, com tremo√ßos azuis e margaridas amarelas  desabrochando um pouco mais tarde. Muitas plantas nativas, como o a√ßafr√£o e a cebola, s√£o  ge√≥fitos – armazenam alimento em bulbos ou tub√©rculos – e florescem no final do ver√£o.  Aproximadamente 135 variedades de borboletas de cores brilhantes e padr√Ķes complexos  pairam sobre os campos. 

Mais de 500 esp√©cies diferentes de aves podem ser vistas em Israel. Alguns, como o bulbul comum, s√£o residentes do pa√≠s; outros, como galeir√Ķes e estorninhos, passam o inverno  aproveitando a comida fornecida pelos tanques de peixes e terras agr√≠colas de Israel. Milh√Ķes  de aves migram duas vezes por ano ao longo do comprimento do pa√≠s, oferecendo  oportunidades magn√≠ficas para observ√°-las. Abelheiros, pelicanos e outras aves migrat√≥rias  grandes e pequenas enchem os c√©us em mar√ßo e outubro. V√°rias esp√©cies de aves de rapina,  entre elas √°guias, falc√Ķes e gavi√Ķes, e p√°ssaros pequenos, como toutinegras e estrelinhas-de poupa, vivem em Israel. 

Delicadas gazelas montanhesas vagam pelas colinas; raposas, gatos selvagens e outros  mam√≠feros vivem em √°reas arborizadas; √≠bex-da-n√ļbia com chifres majestosos saltam sobre os  penhascos do deserto; e camale√Ķes, cobras e lagartos agama est√£o entre as 100 esp√©cies de  r√©pteis nativos do pa√≠s. 

Keren Kayemet – O Fundo Nacional Judaico foi fundado em 1901 para comprar terras para  comunidades judaicas agr√≠colas, bem como para realizar projetos de recupera√ß√£o,  desenvolvimento e arboriza√ß√£o na Terra de Israel. Quando Israel se tornou independente

(1948), o FNJ, com fundos coletados por judeus de todo o mundo, comprara aproximadamente  240.000 hectares, cuja maioria teve de ser recuperada ap√≥s s√©culos de neglig√™ncia, e havia  plantado aproximadamente 4,5 milh√Ķes de √°rvores na encostas rochosas do pa√≠s. 

Hoje, mais de 200 milh√Ķes de √°rvores, em florestas e bosques que cobrem aproximadamente  300.000 acres, fornecem aos israelenses v√°rias oportunidades para recrea√ß√£o ao ar livre e  aprecia√ß√£o da natureza. Sem abandonar suas atividades de florestamento e manuten√ß√£o da  floresta, o FNJ tamb√©m desenvolve parques e locais de recrea√ß√£o, prepara infraestruturas para  novas comunidades, realiza v√°rios projetos de coleta de √°gua e √© um parceiro ativo nos  esfor√ßos de conserva√ß√£o ambiental em todo o pa√≠s. 

Conserva√ß√£o da natureza 

Em um esfor√ßo para conservar o ambiente natural, foram criadas leis rigorosas para a prote√ß√£o  da natureza e dos animais selvagens, tornando ilegal a remo√ß√£o at√© mesmo de flores comuns  de beira de estrada. Respons√°vel pelo avan√ßo da preserva√ß√£o da natureza, a Autoridade de  Parques e Natureza de Israel luta para proteger a paisagem e o ambiente natural. Mais de 150  reservas naturais e 65 parques nacionais em todo o pa√≠s, sob a supervis√£o da Autoridade,  abrangem aproximadamente 1000 quil√īmetros quadrados. Aproximadamente 20 reservas  foram desenvolvidas para uso p√ļblico, com centros de visitantes, estradas e trilhas para  caminhadas, atraindo mais de dois milh√Ķes de pessoas a cada ano. Uma das regi√Ķes mais  importantes de Israel – o Monte Carmelo – foi declarada reserva da biosfera pelo Programa  Homem e Biosfera da UNESCO. 

Centenas de plantas e animais s√£o protegidos, incluindo carvalhos, palmas, gazelas, √≠bex,  leopardos, e abutres, e opera√ß√Ķes especiais de resgate foram criadas para garantir a  sobreviv√™ncia de v√°rias esp√©cies amea√ßadas de extin√ß√£o. Foram criadas esta√ß√Ķes de  alimenta√ß√£o para lobos, hienas e raposas, bem como locais de reprodu√ß√£o seguros para as  aves. Ovos de tartarugas marinhas s√£o recolhidos regularmente na costa do Mediterr√Ęneo e  chocados em incubadoras; os filhotes de tartaruga s√£o ent√£o devolvidos ao mar. Com mais de  500 milh√Ķes de aves migrat√≥rias passando pelo pa√≠s a cada ano, Israel tornou-se um centro  internacionalmente conhecido de observa√ß√£o de aves e um foco de pesquisa e coopera√ß√£o  internacional. 

A monitora√ß√£o cuidadosa das rotas de migra√ß√£o de aves ajuda a evitar colis√Ķes entre aves e  avi√Ķes. Um site na Internet (http://www.birds.org.il), desenvolvido em Israel com o lema “As  aves n√£o t√™m fronteiras”, une crian√ßas de todo o mundo em um projeto de ensino e pesquisa. 

Existe uma iniciativa, inspirada por um profundo sentimento de heran√ßa, para preservar e  reintroduzir a vida vegetal e animal que existia nos tempos b√≠blicos e, desde ent√£o,  desapareceu da regi√£o ou est√° amea√ßada de extin√ß√£o. Neot Kedumim, uma reserva no centro  do pa√≠s dedicada √† coleta e conserva√ß√£o de variedades de plantas mencionadas na B√≠blia,  montou grandes jardins com a flora nativa de v√°rias √°reas geogr√°ficas da Terra de Israel na  antiguidade. Os projetos da vida selvagem Hai Bar no Arava e no Monte Carmelo foram criados  para reintroduzir esp√©cies animais que vagavam pelas montanhas e desertos da Terra a seu  antigos habitats naturais. Os animais criados incluem avestruzes, gamos persas, √≥rix, hem√≠onos  e burros selvagens da Som√°lia.

 

A conscientiza√ß√£o do p√ļblico para a preserva√ß√£o da natureza √© promovida nas escolas e entre  a popula√ß√£o em geral atrav√©s de excurs√Ķes, publica√ß√Ķes e campanhas de informa√ß√£o. A  Sociedade para a Prote√ß√£o da Natureza em Israel, a maior organiza√ß√£o ambientalista do pa√≠s,  liderou dezenas de campanhas contra a destrui√ß√£o de ecossistemas e paisagens pelo  desenvolvimento imprudente. Seu programa educacional inclui 10 escolas de campo, 4 centros  de observa√ß√£o de aves, 5 centros de natureza urbana, e 10 filiais locais.

 

 

PROTE√á√ÉO AMBIENTAL 

O r√°pido crescimento populacional e a expans√£o constante da agricultura e da ind√ļstria t√™m  contribu√≠do para a deteriora√ß√£o ambiental, especialmente na zona costeira, que concentra  mais da metade da popula√ß√£o de Israel e a maior parte da ind√ļstria. Para combater a polui√ß√£o  do litoral dos mares Mediterr√Ęneo e Vermelho, Israel adotou um programa multifacetado de  inspe√ß√£o, legisla√ß√£o, prote√ß√£o, limpezas costeiras e coopera√ß√£o internacional, principalmente  com o Plano de A√ß√£o para o Mediterr√Ęneo. 

Com as condi√ß√Ķes de escassez de √°gua e desenvolvimento intensivo, a degrada√ß√£o da  qualidade da √°gua √© um problema grave. As principais causas de polui√ß√£o das √°guas  subterr√Ęneas s√£o os fertilizantes qu√≠micos, pesticidas, a intrus√£o de √°gua salgada e as √°guas  residuais dom√©sticas e industriais. O tratamento de √°guas residuais tem prioridade alta, para  reduzir seus efeitos sobre o meio ambiente e a sa√ļde p√ļblica e para desenvolver uma fonte  adicional de √°gua para a irriga√ß√£o agr√≠cola. Um plano recentemente aprovado para a gest√£o da  √°gua prev√™ a dessaliniza√ß√£o da √°gua do mar e √°gua salobra, a melhora no tratamento de √°guas  residuais para fins de reuso, e a produ√ß√£o e conserva√ß√£o eficientes da √°gua. Um programa de  reabilita√ß√£o para c√≥rregos polu√≠dos foi iniciado, com o objetivo de transform√°-los em recursos  de √°gua doce com valor ecol√≥gico e de lazer. A qualidade da √°gua pot√°vel √© rigorosamente  controlada. 

Fatores que afetam a qualidade do ar incluem a produ√ß√£o de energia, o transporte e a  ind√ļstria – e todos os tr√™s aumentaram dramaticamente nos √ļltimos anos. O uso de  combust√≠vel com baixo teor de enxofre na produ√ß√£o de energia ajuda a reduzir  consideravelmente as concentra√ß√Ķes de di√≥xido de enxofre, mas as emiss√Ķes de poluentes  ligados ao maior tr√°fego de ve√≠culos aumentaram significativamente. Gasolina sem chumbo,  catalisadores, e menor teor de enxofre no diesel foram introduzidos para mitigar o problema.  Um sistema nacional de monitoramento fornece informa√ß√Ķes atualizadas sobre a qualidade do  ar em todo o pa√≠s. Israel tamb√©m se esfor√ßa para cumprir as normas internacionais de  preserva√ß√£o do oz√īnio e mudan√ßas clim√°ticas. 

O r√°pido crescimento da popula√ß√£o, da qualidade de vida e do consumo levaram a aumentos  significativos nos res√≠duos s√≥lidos, na ordem de 4 a 5% ao ano. A maioria dos dep√≥sitos de lixo  ilegais do pa√≠s foi fechada nos √ļltimos anos e substitu√≠da por aterros sanit√°rios  ambientalmente seguros. Existem esfor√ßos para a gest√£o integrada de res√≠duos s√≥lidos,  incluindo a redu√ß√£o, reciclagem, recupera√ß√£o e incinera√ß√£o. Normas recentes sobre reciclagem  dever√£o facilitar a transi√ß√£o para tecnologias com pouco ou nenhum res√≠duo. 

A gest√£o “do ber√ßo ao t√ļmulo” para subst√Ęncias perigosas √© baseada em licen√ßas,  regulamenta√ß√£o e supervis√£o de todos os aspectos de sua produ√ß√£o, uso, elimina√ß√£o e  tratamento. A aplica√ß√£o da legisla√ß√£o, a implanta√ß√£o de um plano nacional de conting√™ncia  para respostas integradas de emerg√™ncia a acidentes, e a solu√ß√£o e atualiza√ß√£o do dep√≥sito  nacional de res√≠duos perigosos dever√£o minimizar os perigos potenciais para a sa√ļde e o meio  ambiente.

O cumprimento da legisla√ß√£o ambiental √© uma prioridade, al√©m da educa√ß√£o ambiental do  jardim de inf√Ęncia √† universidade. O p√ļblico participa da aplica√ß√£o da lei ambiental, como  fiscais do lixo e do bem-estar animal autorizados a relatar viola√ß√Ķes das respectivas leis.  Ferramentas econ√īmicas s√£o cada vez mais usadas para promover a melhoria ambiental, tanto  na forma de subs√≠dios financeiros para ind√ļstrias que investem na preven√ß√£o da polui√ß√£o e na  forma de impostos e taxas sobre os poluidores. De acordo com os princ√≠pios do  desenvolvimento sustent√°vel, os esfor√ßos s√£o voltados √† conserva√ß√£o de recursos e preven√ß√£o  da polui√ß√£o em todos os setores da economia.

 

 

INFRAESTRUTURA 

Comunica√ß√Ķes: Israel est√° ligado √†s maiores redes de dados comerciais, financeiros e  acad√™micos do mundo e est√° totalmente integrado aos sistemas internacionais de  comunica√ß√£o atrav√©s de linhas submarinas de fibra √≥tica e liga√ß√Ķes via sat√©lite. O pa√≠s tem um  grande n√ļmero de linhas telef√īnicas, computadores e usu√°rios da Internet per capita. 

Israel √© um dos primeiros pa√≠ses do mundo a ter 100% de digitaliza√ß√£o em sua rede de  telefonia, permitindo a presta√ß√£o de diversos servi√ßos revolucion√°rios para os assinantes. Al√©m  disso, Israel tem uma das maiores taxas de penetra√ß√£o de telefones celulares do mundo. 

Os servi√ßos postais operam em todo o pa√≠s, conectando Israel √† maioria dos pa√≠ses no exterior.  O Servi√ßo Filat√©lico j√° emitiu mais de 1.500 selos. Muitos artistas israelenses famosos ajudaram  a criar esses “cart√Ķes de visita”, sendo que alguns j√° alcan√ßaram o status de cl√°ssicos e s√£o  avidamente procurados por colecionadores. 

Estradas: Em um pa√≠s de dist√Ęncias curtas, carros, √īnibus e caminh√Ķes s√£o os principais meios  de transporte. Nos √ļltimos anos, a rede de estradas tem sido amplamente expandida e  melhorada para acomodar o r√°pido crescimento do n√ļmero de ve√≠culos, e tamb√©m para tornar  acess√≠veis at√© mesmo √†s comunidades mais remotas. A Rodovia Trans-Israel (Route 6) √© uma  rodovia de v√°rias pistas e a primeira estrada com ped√°gios do pa√≠s, com a maioria de seus 300  km previstos j√° conclu√≠da, entre Be'er Sheva, ao sul, e Nahariya, ao norte. Essa estrada faz com  que seja poss√≠vel evitar √°reas densamente povoadas, reduzindo assim os congestionamentos e  fornecendo acesso r√°pido √† maioria das √°reas do pa√≠s. 

Estradas de ferro: A Israel Railways opera servi√ßos de passageiros entre Tel Aviv, Jerusal√©m,  Haifa, Nahariya, Be'er Sheva e Dimona. Servi√ßos de carga tamb√©m operam mais ao sul,  servindo o porto de Ashdod, a cidade de Ashkelon, e as pedreiras ao sul de Dimona. Nos  √ļltimos anos, houve um aumento no uso do transporte ferrovi√°rio, tanto de passageiros  quanto de cargas. Para ajudar a aliviar os problemas causados pelo aumento na densidade do  tr√°fego rodovi√°rio, foram criados servi√ßos de transporte ferrovi√°rio r√°pido – utilizando trilhos  atualizados – nas √°reas de Tel Aviv e Haifa, operados em coordena√ß√£o com linhas  alimentadoras de √īnibus. Muitos vag√Ķes ultrapassados est√£o sendo substitu√≠dos por carros  modernos com ar-condicionado, e equipamentos avan√ßados de manuten√ß√£o das linhas ser√£o  colocados em opera√ß√£o. Em Jerusal√©m, um sistema de trens urbanos est√° em constru√ß√£o. 

Portos mar√≠timos: Os antigos portos de Jaffa (Yafo), Cesareia e Acre (Akko) foram substitu√≠dos  por tr√™s portos modernos de √°guas profundas em Haifa, Ashdod, e Eilat, servindo o transporte  mar√≠timo internacional. O porto de Haifa √© um dos maiores portos de containers no Mar  Mediterr√Ęneo, bem como um movimentado terminal de passageiros; o porto de Ashdod √©  usado principalmente para o transporte de produtos industrializados; e o porto de Eilat, no  Mar Vermelho liga Israel ao hemisf√©rio sul e ao Extremo Oriente. Al√©m disso, um porto para  navios-tanque, em Ashkelon, recebe carregamentos de combust√≠vel e uma instala√ß√£o de  descarga direta para fornecer carv√£o a uma usina pr√≥xima opera em Hadera.

Reconhecendo que a localiza√ß√£o geogr√°fica de Israel lhe d√° potencial para se tornar um pa√≠s de  conex√£o para passageiros e mercadorias que atravessam a regi√£o, a Autoridade de Portos e  Ferrovias estabeleceu um plano de longo prazo para atender √†s necessidades de transporte  futuras. Entre outras prioridades, o plano defende o desenvolvimento de um sistema  ferrovi√°rio moderno, instalando equipamentos de ponta em cada fase de suas opera√ß√Ķes  terrestres e mar√≠timas e a cria√ß√£o de uma rede de sistemas de computador para controlar e  supervisionar todos os seus servi√ßos. 

Aeroportos: O Aeroporto Internacional Ben-Gurion (a 25 minutos de carro de Tel Aviv e a 50  minutos de Jerusal√©m) √© o maior e principal terminal a√©reo de Israel. Devido ao aumento  esperado no n√ļmero de chegadas e partidas de passageiros, o aeroporto foi ampliado, com  terminais novos e modernos. Voos particulares, principalmente da Europa, e voos dom√©sticos  s√£o atendidos pelo Aeroporto de Eilat ao sul e por pequenos aeroportos perto de Tel Aviv, na  regi√£o central, e Rosh Pina, ao norte. 

Arquitetura atrav√©s dos tempos: O estilo de arquitetura urbana de Israel √© muito vari√°vel,  incluindo estruturas de s√©culos passados, edif√≠cios s√≥lidos inspirados por arquitetos  renomados pr√©-II Guerra Mundial e blocos de apartamentos constru√≠dos √†s pressas para  abrigar novos imigrantes nos primeiros anos do Estado, bairros residenciais cuidadosamente  planejados, arranha-c√©us comerciais de vidro e concreto e hot√©is de luxo modernos.

 

 

VIDA URBANA 

Aproximadamente 92% dos israelenses vivem em √°reas urbanas. Muitas cidades modernas,  misturando o velho e o novo, foram constru√≠das em locais conhecidos desde a antiguidade,  entre eles Jerusal√©m, Safed, Be'er Sheva, Tiber√≠ades, e Akko. 

 

Haifa

264.800

Hadera

78.200

Netanya

179.000

Herzliya

84.400

Ra'anana

73.200

Kfar Sava

82.900

Bnei Brak

153.300

Petach Tikva

193.900

Ramat Gan

134.300

Tel Aviv-Yafo

392.500

Bat Yam

128.900

Rishon Lezion

226.100

Holon

170.600

Rehovot

108.300

Lod

67.500

Ashdod

209.200

Ashkelon

110.400

Metulla

1.500

Kiryat Shmona

22.200

Safed

28.600

Tiberias

39.800

Carmiel

44.700

Nazareth

66.400

Jerusalem

763.600

Kiryat Gat

47.900

Be'er Sheva

187.200

Eilat

46.600

 

 

Outras, como Rehovot, Hadera, Petach Tikva e Rishon Lezion eram aldeias agr√≠colas na era pr√© estado e cresceram, formando grandes centros populacionais. Cidades em desenvolvimento,  como Carmiel e Kiryat Gat foram constru√≠das nos primeiros anos do Estado para acomodar o  r√°pido crescimento populacional gerado pela imigra√ß√£o em massa, bem como para ajudar a  distribuir a popula√ß√£o em todo o pa√≠s e promover uma economia rural e urbana estreitamente  interligada, levando ind√ļstrias e servi√ßos para √°reas antes desabitadas. 

Jerusal√©m, situada nas Colinas da Judeia, √© a capital de Israel, a sede do governo e o centro  hist√≥rico, espiritual e nacional do povo judeu desde que o Rei Davi fez dela a capital do seu  reino h√° 3000 anos. Santificada pela religi√£o e tradi√ß√£o, por lugares santos e casas de ora√ß√£o, √©  reverenciada por judeus, crist√£os e mu√ßulmanos em todo o mundo.

At√© 1860, Jerusal√©m era uma cidade murada, formada por quatro quartos – judeu,  mu√ßulmano, arm√™nio e crist√£o. Naquela √©poca, os judeus, que at√© ent√£o representavam a  maior parte de sua popula√ß√£o, come√ßaram a construir novos bairros fora das muralhas,  formando o n√ļcleo da Jerusal√©m moderna. Durante as tr√™s d√©cadas de administra√ß√£o do  Mandato Brit√Ęnico (1918 a 1948), a cidade transformou-se gradualmente de uma prov√≠ncia  abandonada do Imp√©rio Otomano (1517 a 1917) em uma metr√≥pole pr√≥spera, com muitos  bairros residenciais novos, cada um refletindo a identidade do grupo espec√≠fico que ali vivia.  Ap√≥s o ataque √°rabe contra o rec√©m-criado Estado de Israel, a cidade foi dividida (1949) entre  os governos de Israel e da Jord√Ęnia. Nos 19 anos seguintes, paredes de concreto e arame  farpado isolaram as duas partes da cidade. Como resultado da Guerra do Seis Dias, em 1967, a  cidade foi reunificada. 

Atualmente a maior cidade de Israel, Jerusal√©m tem uma popula√ß√£o de mais de 760 mil  habitantes. Ao mesmo tempo antiga e moderna, √© uma cidade de diversidades, e seus  habitantes representam uma mistura de culturas e nacionalidades, de estilos de vida religiosos  ao secular. √Č uma cidade que preserva seu passado e constr√≥i para o futuro, com s√≠tios  hist√≥ricos cuidadosamente restaurados, preserva√ß√£o das √°reas verdes, zonas comerciais  modernas, parques industriais e bairros em expans√£o, que atestam sua continuidade e  vitalidade. 

Tel Aviv-Yafo, uma cidade moderna na costa do Mediterr√Ęneo, √© o centro comercial e  financeiro de Israel, bem como o foco de sua vida cultural. A maioria das organiza√ß√Ķes  industriais tem sede na cidade, al√©m da bolsa de valores, grandes jornais, centros comerciais e  editoras. Tel Aviv, a primeira cidade totalmente judaica dos tempos modernos, foi fundada em  1909 como um sub√ļrbio de Jaffa (Yafo), um dos assentamentos urbanos mais antigos do  mundo. Em 1934, Tel Aviv recebeu o status de munic√≠pio e, em 1950, foi renomeada Tel Aviv Yafo, com o novo munic√≠pio absorvendo a antiga Jaffa. A √°rea em torno do antigo porto de  Jaffa foi transformada em uma col√īnia de artistas e centro tur√≠stico, com galerias, restaurantes  e casas noturnas. A "Cidade Branca" de Tel Aviv, um vasto conjunto de edif√≠cios datados de  1930 a 1950, no estilo modernista, foi reconhecida pela UNESCO como Patrim√īnio da  Humanidade. 

Haifa, no Mar Mediterr√Ęneo, ergue-se da costa ao longo das encostas do Monte Carmelo. √Č  constru√≠da em tr√™s n√≠veis topogr√°ficos: a cidade baixa, parcialmente em terra recuperada do  mar, √© o centro comercial, com instala√ß√Ķes portu√°rias; o n√≠vel m√©dio √© uma antiga √°rea  residencial; e o n√≠vel superior consiste em bairros modernos em r√°pida expans√£o, com ruas  arborizadas, parques e bosques com vista para as zonas industriais e praias na costa da ba√≠a.  Um porto importante, Haifa √© um foco do com√©rcio internacional. Serve tamb√©m como centro  administrativo do norte de Israel. 

Safed (Tzfat), constru√≠da no alto das montanhas da Galileia, √© um resort e local tur√≠stico  popular no ver√£o, com um bairro de artistas e v√°rias sinagogas centen√°rias. No s√©culo 16,  Safed era o mais importante centro de estudo e criatividade judaica no mundo – ponto de  encontro de rabinos, eruditos e m√≠sticos que estabeleceram leis e preceitos religiosos, muitos  dos quais s√£o seguidos por judeus at√© hoje.

Tiber√≠ades, na margem do Lago Kineret (Mar da Galileia), √© famosa por suas fontes termais  medicinais. Hoje a cidade √© um movimentado centro tur√≠stico, onde vest√≠gios arqueol√≥gicos do  passado misturam-se a casas e hot√©is modernos. Fundada no s√©culo I e batizada em  homenagem ao imperador romano Tib√©rio, tornou-se um centro de erudi√ß√£o judaica e a sede  de uma famosa academia rab√≠nica. 

Be'er Sheva, no norte do Neguev, est√° localizada no cruzamento de rotas que levam ao Mar  Morto e Eilat. √Č uma cidade nova, constru√≠da sobre um local antigo, que remonta √† era dos  Patriarcas, aproximadamente 3.500 anos atr√°s. Chamada de “Capital do Neguev”, Be'er Sheva  √© um centro administrativo e econ√īmico, com escrit√≥rios do governo regional e institui√ß√Ķes de  sa√ļde, educa√ß√£o e cultura que servem todo o sul de Israel. 

Eilat, a cidade mais austral do pa√≠s, √© o acesso de Israel para o Mar Vermelho e o Oceano  √ćndico. Seu porto moderno, que se acredita estar localizado no mesmo local de um porto da  √©poca do rei Salom√£o, gerencia o com√©rcio de Israel com a √Āfrica e o Extremo Oriente.  Invernos quentes, cen√°rios subaqu√°ticos espetaculares, praias requintadas, esportes  aqu√°ticos, hot√©is de luxo e acesso f√°cil da Europa, atrav√©s de voos fretados diretos, fizeram de  Eilat uma pr√≥spera est√Ęncia tur√≠stica durante todo o ano. Desde o estabelecimento da paz  entre Israel e Jord√Ęnia (1994), projetos de desenvolvimento conjunto com a cidade vizinha de  Aqaba foram iniciados, principalmente para impulsionar o turismo na √°rea.

 

 

VIDA RURAL 

Aproximadamente 8% da popula√ß√£o de Israel vive em √°reas rurais, em aldeias, e em duas  estruturas de coopera√ß√£o exclusivas do pa√≠s, o kibutz e o moshav, desenvolvidas no in√≠cio do  s√©culo XX. 

Aldeias de v√°rios tamanhos s√£o habitadas principalmente por √°rabes e drusos (que  representam 1,7% da popula√ß√£o de Israel). A terra e as casas s√£o de propriedade privada, e os  agricultores cultivam e comercializam seus produtos individualmente. Uma minoria no setor  √°rabe, os bedu√≠nos √°rabes (estimados em 250.000 pessoas), tradicionalmente n√īmades, est√£o  passando por um processo de urbaniza√ß√£o, refletindo a transi√ß√£o de uma sociedade tradicional  para um estilo de vida moderno e estacion√°rio. 

O kibutz √© uma unidade social e econ√īmica autossuficiente, em que as decis√Ķes s√£o tomadas  por seus membros, e cujos bens e meios de produ√ß√£o s√£o de propriedade coletiva. Hoje 1,7%  da popula√ß√£o vive em 267 kibutzim. Os membros trabalham em diferentes √°reas da economia 

do kibutz: Tradicionalmente a base da agricultura de Israel, os kibutzim est√£o cada vez mais  envolvidos na ind√ļstria, turismo e servi√ßos. Muitos kibutzim t√™m modificado sua abordagem  coletiva tradicional e est√£o em v√°rios est√°gios de privatiza√ß√£o. 

O moshav √© um assentamento rural em que cada fam√≠lia mant√©m sua pr√≥pria fazenda e casa.  No passado, a coopera√ß√£o inclu√≠a compras e comercializa√ß√£o; hoje, os agricultores dos  moshavim preferem ser mais independentes economicamente. 441 moshavim e moshavim  shitufi'im representam aproximadamente 3,5% da popula√ß√£o e fornecem grande parte da  produ√ß√£o agr√≠cola de Israel. 

O yishuv kehilati (assentamento comunit√°rio) √© uma nova forma de assentamento rural. Cada  uma das 107 comunidades existentes √© composta por centenas de fam√≠lias. Embora a vida  econ√īmica de cada fam√≠lia seja completamente independente e a maioria dos membros  trabalhe fora da comunidade, o n√≠vel de participa√ß√£o volunt√°ria dos membros na vida da  comunidade √© muito alto. 

O institui√ß√£o central de governo √© a Assembleia Geral, composta pelos chefes de cada fam√≠lia,  que define e passa o or√ßamento da comunidade em sua reuni√£o anual. Ao lado de comit√™s de  gest√£o e supervis√£o, v√°rios grupos de trabalho lidam com √°reas como educa√ß√£o, cultura,  juventude, finan√ßas e assim por diante. Uma secretaria coordena os assuntos di√°rios da  comunidade de acordo com as decis√Ķes dos √≥rg√£os eleitos. Novos membros s√£o aceitos  apenas com a aprova√ß√£o da comunidade.

 

 

 

O POVO 

Israel abriga uma popula√ß√£o amplamente diversificada, de v√°rias origens √©tnicas, religiosas,  culturais e sociais. Uma sociedade nova com ra√≠zes antigas, ainda est√° se estabilizando e  evoluindo. De seus 7,6 milh√Ķes de pessoas, 75,5% s√£o judeus, 20,2% s√£o √°rabes (em sua  maioria mu√ßulmanos) e os 4,3% restantes compreendem drusos, circassianos, e outros  habitantes n√£o classificados por religi√£o. A sociedade √© relativamente jovem e √© caracterizada  por seu compromisso social e religioso, ideologia pol√≠tica, desenvoltura econ√īmica e  criatividade cultural, fatores que contribuem para seu desenvolvimento cont√≠nuo. 

... Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! (Salmos 133:1)

 

 

SOCIEDADE JUDAICA 

Um longo caminho de volta 

Ap√≥s a expuls√£o da maioria dos judeus da terra de Israel, h√° aproximadamente 2.000 anos,  eles se dispersaram em outros pa√≠ses, principalmente na Europa, no Norte da √Āfrica e no  Oriente M√©dio. Ao longo dos s√©culos, eles estabeleceram grandes comunidades judaicas em  terras pr√≥ximas e distantes, onde experimentaram longos per√≠odos de crescimento e  prosperidade, mas tamb√©m foram, por vezes, alvo de discrimina√ß√£o, ataques brutais e  expuls√Ķes totais ou parciais. Cada onda de persegui√ß√£o e viol√™ncia fortalecia sua cren√ßa no  conceito de "reuni√£o dos exilados" e inspirava indiv√≠duos e grupos a retornar √† sua p√°tria  ancestral. O movimento Sionista, fundado no final do s√©culo XIX, transformou o conceito em  um modo de vida, e o Estado de Israel o transformou em lei, concedendo cidadania a qualquer  judeu que deseja se estabelecer no pa√≠s. 

Forma√ß√£o de uma nova sociedade 

A base pol√≠tica, econ√īmica e cultural da sociedade judaica contempor√Ęnea de Israel foi  formada em grande parte durante o per√≠odo de dom√≠nio brit√Ęnico (1917 a 1948). Motivada  ideologicamente pelo Sionismo, a comunidade judaica na Terra de Israel desenvolveu  institui√ß√Ķes sociais e pol√≠ticas que exerciam autoridade sem soberania, com todos os escal√Ķes  mobilizados para a consolida√ß√£o e o crescimento. O voluntariado foi sua estrutura pol√≠tica, o  igualitarismo sua cola social. 

A conquista da independ√™ncia pol√≠tica e a imigra√ß√£o em massa que se seguiu dobraram a  popula√ß√£o judaica de Israel, de 650.000 a aproximadamente 1,3 milh√Ķes nos primeiros quatro  anos de exist√™ncia do estado (1948 a 1952), mudando a estrutura da sociedade israelense. O  agrupamento social resultante era composto por dois elementos principais: a maioria,  composta pela comunidade Sefaradi j√° estabelecida, colonos Asquenazi veteranos e  sobreviventes do Holocausto; e uma grande minoria de imigrantes judeus recentes, dos pa√≠ses  isl√Ęmicos do Norte de √Āfrica e do Oriente M√©dio. Enquanto a maioria da popula√ß√£o pr√©-estado  estava comprometida com fortes convic√ß√Ķes ideol√≥gicas, um esp√≠rito pioneiro, e um modo de  vida democr√°tico, muitos dos judeus que viveram durante s√©culos em terras √°rabes aderiam a  uma organiza√ß√£o social patriarcal, e tiveram dificuldades em integrar-se √† sociedade de Israel e  sua economia em desenvolvimento. 

No final dos anos 1950, os dois grupos coexistiam praticamente sem intera√ß√£o social e cultural.  Os judeus do Norte da √Āfrica e do Oriente M√©dio expressavam sua frustra√ß√£o e aliena√ß√£o em  protestos contra o governo, que, na d√©cada de 1960 e 1970, viraram exig√™ncias por uma maior  participa√ß√£o pol√≠tica, aloca√ß√£o de recursos compensat√≥rios e a√ß√Ķes efetivas para ajudar a  reduzir as diferen√ßas entre eles e os israelenses mais antigos. Al√©m das tens√Ķes geradas pela  diversidade de sua popula√ß√£o ao longo dos anos, a sociedade israelense tamb√©m teve de lutar  pela independ√™ncia econ√īmica e defender-se contra a√ß√Ķes beligerantes dos √°rabes do outro  lado da fronteira. Ainda assim, os denominadores comuns da religi√£o, da mem√≥ria hist√≥rica, e

da coes√£o nacional dentro da sociedade judaica mostraram-se fortes o suficiente para superar  os desafios. 

Continua√ß√£o da imigra√ß√£o 

Ao longo dos anos, Israel continuou a receber novos imigrantes em maior ou menor n√ļmero,  provenientes dos pa√≠ses livres do mundo ocidental, bem como de √°reas de perigo. A onda de  imigra√ß√£o em massa mais recente foi composta por membros da grande comunidade judaica  da antiga Uni√£o Sovi√©tica, que lutaram durante anos pelo direito de emigrar para Israel. 

Embora aproximadamente 100.000 tenham chegado na d√©cada de 1970, desde 1989 mais de  um milh√£o se instalaram no pa√≠s. Entre eles, estavam muitos profissionais altamente  qualificados e cientistas, artistas e m√ļsicos famosos, cujos conhecimentos e talentos  contribuem significativamente para a vida econ√īmica, cient√≠fica, acad√™mica e cultural de  Israel. 

As d√©cadas de 1980 e 1990 testemunharam a chegada de duas migra√ß√Ķes maci√ßas da antiga  comunidade judaica da Eti√≥pia. Segundo a cren√ßa popular, a comunidade existia na regi√£o  desde a √©poca do rei Salom√£o. Embora a transi√ß√£o dos 50.000 imigrantes de um ambiente  africano agr√°rio para uma sociedade ocidental industrializada possa levar algum tempo, o  interesse de seus jovens em adaptar-se ir√° acelerar a absor√ß√£o dessa comunidade judaica  isolada. 

Diversidade religiosa 

Desde os tempos b√≠blicos, os judeus s√£o um povo com uma f√© monote√≠sta, o juda√≠smo, que  representa um componente tanto religioso quanto nacional. Por volta do s√©culo XVIII, a  maioria dos judeus do mundo vivia na Europa Oriental, onde foram confinados a guetos e  tinham pouca intera√ß√£o com as sociedades ao seu redor. Dentro de suas comunidades, eles  lidavam com seus pr√≥prios assuntos, aderindo ao corpo da lei judaica (Halach√°), desenvolvida  e codificada por eruditos religiosos ao longo dos s√©culos. 

O esp√≠rito de emancipa√ß√£o e nacionalismo que varreu a Europa do s√©culo XIX gerou o  desenvolvimento de uma abordagem mais liberal de educa√ß√£o, cultura, filosofia e teologia.  Tamb√©m deram origem a v√°rios movimentos judaicos, alguns desenvolvidos ao longo de linhas  religiosas liberais, enquanto outros defendiam ideologias nacionais e pol√≠ticas. Como  resultado, muitos judeus, e, finalmente, a maioria, rompeu com a ortodoxia e seu modo de  vida, com alguns se esfor√ßando para integrar-se completamente √† sociedade em geral. 

A sociedade judaica em Israel hoje √© composta por judeus praticantes e n√£o praticantes,  abrangendo desde os ultraortodoxos at√© aqueles que se consideram seculares. No entanto, as  diferen√ßas entre eles n√£o s√£o claras. Se a ortodoxia √© determinada pelo grau de ades√£o √†s leis  judaicas e pr√°ticas religiosas, ent√£o 20% dos judeus israelenses se esfor√ßam para cumprir  todos os preceitos religiosos, 60% seguem alguma combina√ß√£o das leis de acordo com  escolhas pessoais e tradi√ß√Ķes √©tnicas, e 20% s√£o n√£o praticantes. Mas como Israel foi  concebido como um Estado judaico, o Shabat (s√°bado) e todas as festas judaicas e dias santos  foram institu√≠dos como feriados nacionais e s√£o celebrados por toda a popula√ß√£o judaica e  observados por todos, em maior ou menor grau.

Outros indicadores do grau de ades√£o religiosa poderiam ser a porcentagem de pais que  optam por dar a seus filhos uma educa√ß√£o religiosa ou a porcentagem dos eleitores que votam  em partidos religiosos nas elei√ß√Ķes nacionais. No entanto, a validade dessas estat√≠sticas √©  incerta, pois pais n√£o praticantes podem matricular seus filhos em escolas religiosas e muitos  cidad√£os ortodoxos votam em partidos pol√≠ticos n√£o religiosos. 

Basicamente, a maioria pode ser caracterizada por judeus seculares que manifestam estilos de  vida modernos, com graus variados de respeito e pr√°tica dos preceitos religiosos. Dentro dessa  maioria, muitos seguem uma forma modificada da vida tradicional, com alguns optando por  afiliar-se a uma das correntes religiosas liberais.

Dentro da minoria observante, tanto sefaradi e asquenazi, s√£o muitos os que aderem a um  modo de vida religioso, regulado pela lei religiosa judaica, e participam da vida nacional do  pa√≠s. Eles consideram o estado judaico moderno como o primeiro passo para a vinda do  Messias e a reden√ß√£o do povo judeu na Terra de Israel. 

Em contraste, alguns dos judeus ultraortodoxos acreditam que a soberania judaica na Terra  pode ser restabelecida somente ap√≥s a vinda do Messias. Mantendo estrita observ√Ęncia √† lei  religiosa judaica, eles residem em bairros separados, t√™m suas pr√≥prias escolas, vestem roupas  tradicionais, mant√™m pap√©is distintos para homens e mulheres e um estilo de vida  estritamente definido. 

Din√Ęmica entre judeus 

Como n√£o h√° separa√ß√£o clara entre religi√£o e Estado, uma quest√£o comunit√°ria central √© a  medida que Israel deve manifestar sua identidade religiosa judaica. Embora o segmento  ortodoxo deseje aumentar a legisla√ß√£o religiosa al√©m do escopo pessoal, sobre o qual tem  compet√™ncia exclusiva, o setor n√£o praticante considera isso uma coer√ß√£o religiosa e uma  viola√ß√£o da natureza democr√°tica do Estado. Uma das quest√Ķes atuais diz respeito aos  elementos necess√°rios para definir uma pessoa como judeu. O setor ortodoxo defende a  determina√ß√£o de um judeu como uma pessoa nascida de m√£e judia ou convertida em estrita  conformidade com a lei judaica, enquanto os judeus seculares geralmente apoiam uma  defini√ß√£o com base no crit√©rio civil da identifica√ß√£o de um indiv√≠duo com o juda√≠smo. Esses  conflitos de interesse deram origem a uma busca por meios legais para definir a demarca√ß√£o  entre religi√£o e Estado. At√© que uma solu√ß√£o global seja encontrada, a autoridade reside em  um acordo verbal, firmado na v√©spera da independ√™ncia de Israel e conhecido como status  quo, que estipula que nenhuma altera√ß√£o fundamental seria feita no status da religi√£o. 

Sociedade do kibutz

Um modelo social e econ√īmico √ļnico, baseado em princ√≠pios igualit√°rios e comunais, o kibutz surgiu na sociedade pioneira do pa√≠s, no in√≠cio do s√©culo XX e transformou-se em uma forma  permanente de vida rural. Ao longo dos anos, estabeleceu uma economia pr√≥spera, no in√≠cio  essencialmente agr√≠cola e mais tarde aumentada com ind√ļstrias e servi√ßos, e distinguiu-se com 

as contribui√ß√Ķes de seus membros para a cria√ß√£o e constru√ß√£o do Estado. 

No per√≠odo de pr√©-Estado de Israel e durante os primeiros anos de exist√™ncia do Estado, o  kibutz assumiu fun√ß√Ķes centrais no assentamento, imigra√ß√£o e defesa, mas quando elas foram

transferidas para o governo, a intera√ß√£o entre o kibutz e o restante de Israel foi reduzida. Sua  centralidade como uma vanguarda para o desenvolvimento social e institucional diminuiu e,  desde 1970, o mesmo ocorreu com sua for√ßa pol√≠tica, que nos primeiros dias era refletida em  uma representa√ß√£o excessiva. No entanto, a participa√ß√£o dos kibutzim na produ√ß√£o nacional  continuou a ser significativamente maior do que sua propor√ß√£o na popula√ß√£o. 

Nas √ļltimas d√©cadas o kibutz tornou-se mais introspectivo, enfatizando as realiza√ß√Ķes  individuais e o crescimento econ√īmico. Em muitos kibutzim, a √©tica de trabalho do “fa√ßa voc√™  mesmo” tornou-se menos r√≠gida e o tabu sobre o trabalho contratado enfraqueceu.  Atualmente, um n√ļmero maior de trabalhadores assalariados est√° sendo empregado nos  kibutzim. Ao mesmo tempo, um n√ļmero crescente de membros dos kibutzim trabalha fora do  kibutz, com seu sal√°rio sendo agregado √† renda do kibutz. 

O kibutz de hoje √© a realiza√ß√£o de tr√™s gera√ß√Ķes. Os fundadores, motivados por convic√ß√Ķes  fortes e uma ideologia definitiva, formaram uma sociedade com estilo de vida diferenciado.  Seus filhos, nascidos na estrutura social existente, trabalharam duro para consolidar a base  econ√īmica, social e administrativa de sua comunidade. A atual gera√ß√£o, que cresceu em uma  sociedade bem estabelecida, enfrenta os desafios da vida contempor√Ęnea. Hoje, h√° muita  discuss√£o a respeito da natureza futura do relacionamento e responsabilidade m√ļtua entre o  indiv√≠duo e a comunidade do kibutz, bem como sobre as ramifica√ß√Ķes dos recentes  desenvolvimentos em tecnologia e comunica√ß√Ķes para a sociedade. 

Alguns temem que, ao adaptar-se √†s novas circunst√Ęncias, o kibutz est√° se afastando  perigosamente de seus princ√≠pios e valores originais. Outros acreditam que essa capacidade de  adapta√ß√£o √© a chave para a sobreviv√™ncia.

 

 

COMUNIDADES MINORIT√ĀRIAS 

Cerca de 1,8 milh√Ķes de pessoas, representando aproximadamente 24% da popula√ß√£o de  Israel, s√£o n√£o judeus. Embora definidos coletivamente como cidad√£os √°rabes de Israel,  incluem v√°rios grupos diferentes, principalmente de l√≠ngua √°rabe, cada um com caracter√≠sticas  distintas. 

Os √°rabes mu√ßulmanos, mais de 1,2 milh√Ķes de pessoas, em sua maioria sunitas, reside  principalmente em pequenas cidades e aldeias, mais da metade delas no norte do pa√≠s. 

Os bedu√≠nos √°rabes, tamb√©m mu√ßulmanos (estimados em aproximadamente 250.000),  pertencem a aproximadamente 30 tribos, a maioria espalhada em uma ampla √°rea no sul e  alguns ao norte. Antes pastores n√īmades, os bedu√≠nos est√£o em transi√ß√£o de uma estrutura  social tribal para uma sociedade permanente e est√£o gradualmente se incorporando √† for√ßa de  trabalho de Israel. 

Cerca de 123.000 √°rabes crist√£os vivem principalmente em √°reas urbanas, incluindo Nazar√©,  Shfar'am, e Haifa. Apesar de muitas denomina√ß√Ķes serem representadas nominalmente, a  maioria est√° afiliada √†s igrejas Cat√≥lica Grega, Ortodoxa Grega e Cat√≥lica Romana. 

Os drusos, aproximadamente 122.000 pessoas de idioma √°rabe que vivem em 22 aldeias no  norte de Israel, constituem uma comunidade cultural, social e religiosa separada. Embora a  religi√£o drusa n√£o seja acess√≠vel para estrangeiros, um aspecto conhecido de sua filosofia √© o  conceito de taqiyya, que exige a lealdade completa de seus adeptos ao governo do pa√≠s em  que residem. 

Os circassianos, aproximadamente 4.000 pessoas concentradas em duas aldeias do norte, s√£o  mu√ßulmanos sunitas, embora n√£o compartilhem a origem √°rabe nem a forma√ß√£o cultural da  comunidade isl√Ęmica em geral. Mantendo uma identidade √©tnica distinta, participam nos  assuntos econ√īmicos e nacionais de Israel sem serem assimilados pelas sociedades judaica ou  mu√ßulmana. 

Pluralismo e segrega√ß√£o: Sendo uma sociedade multi√©tnica, multicultural, multirreligiosa e  multi-idiom√°tica, Israel tem um alto n√≠vel de padr√Ķes de segrega√ß√£o informal. Embora os  grupos n√£o sejam separados por uma pol√≠tica oficial, uma s√©rie de setores diferentes dentro da  sociedade s√£o segregados de certa forma e mant√™m sua forte identidade cultural, religiosa,  ideol√≥gica e/ou √©tnica. 

No entanto, apesar de um grau bastante elevado de segmenta√ß√£o social, alguma disparidade  econ√īmica e uma vida pol√≠tica muitas vezes superaquecida, a sociedade √© relativamente  equilibrada e est√°vel. O baixo n√≠vel de conflito social entre os diferentes grupos, apesar de um  potencial de inquieta√ß√£o social, pode ser atribu√≠do aos sistemas judicial e pol√≠tico do pa√≠s, que  representam a total igualdade jur√≠dica e c√≠vica. 

Assim, Israel n√£o √© uma sociedade miscigenada, mas sim um mosaico composto de diferentes  grupos populacionais que convivem em um Estado democr√°tico.

 

Vida nas comunidades √°rabes 

As migra√ß√Ķes √°rabes para dentro e fora do pa√≠s flutuam em resposta √†s condi√ß√Ķes econ√īmicas.  No final do s√©culo XIX, quando a imigra√ß√£o judaica estimulou o crescimento econ√īmico,  muitos √°rabes foram atra√≠dos para a √°rea em busca de oportunidades de emprego, sal√°rios  mais altos e melhores condi√ß√Ķes de vida. 

A maioria da popula√ß√£o √°rabe de Israel vive em suas pr√≥prias cidades e aldeias na Galileia,  incluindo a cidade de Nazar√©, na √°rea central entre Hadera e Petach Tikva, no Neguev, e em  centros urbanos mistos, como Jerusal√©m, Akko (Acre), Haifa, Lod, Ramle e Yafo (Jaffa). 

A comunidade √°rabe de Israel constitui principalmente um setor da classe trabalhadora em  uma sociedade de classe m√©dia, um grupo politicamente perif√©rico num estado altamente  centralizado e uma minoria de l√≠ngua √°rabe em meio √† maioria hebraica. Praticamente n√£o 

assimilados, a identidade distinta da comunidade √© facilitada atrav√©s do uso da l√≠ngua √°rabe, a  segunda l√≠ngua oficial de Israel; um sistema escolar √°rabe/druso separado; m√≠dia, literatura e  teatro √°rabes; e a manuten√ß√£o de tribunais independentes para mu√ßulmanos, drusos e  crist√£os que julgam assuntos do √Ęmbito pessoal. 

Embora os costumes do passado ainda fa√ßam parte da vida di√°ria, o enfraquecimento gradual  da autoridade tribal e patriarcal, os efeitos da escolaridade obrigat√≥ria e a participa√ß√£o no  processo democr√°tico de Israel est√£o afetando rapidamente as perspectivas e estilos de vida  tradicionais. Simultaneamente, o status das mulheres √°rabes israelenses tem sido  significativamente liberalizado pela legisla√ß√£o, que estipula direitos iguais para mulheres e a  proibi√ß√£o da poligamia e do casamento de crian√ßas. 

O envolvimento pol√≠tico do setor √°rabe se manifesta nas elei√ß√Ķes nacionais e municipais.  Cidad√£os √°rabes dirigem os assuntos pol√≠ticos e administrativos de seus munic√≠pios e  representam os interesses √°rabes atrav√©s de seus representantes eleitos no Knesset  (parlamento de Israel), que podem operar na arena pol√≠tica para promover o status dos grupos  minorit√°rios e sua parcela de benef√≠cios nacionais.

Desde o estabelecimento de Israel (1948), os cidad√£os √°rabes t√™m dispensa do servi√ßo  obrigat√≥rio nas For√ßas de Defesa de Israel (IDF), em considera√ß√£o a seus v√≠nculos familiares,  religiosos e culturais com o mundo √°rabe (que submeteu Israel a ataques frequentes), bem  como por preocupa√ß√£o com uma poss√≠vel dupla lealdade. Ao mesmo tempo, o servi√ßo militar  volunt√°rio √© encorajado, e alguns √°rabes escolhem essa op√ß√£o a cada ano. Desde 1957, a  pedido dos l√≠deres de suas comunidades, o servi√ßo na IDF √© obrigat√≥rio para homens drusos e  circassianos, e o n√ļmero de bedu√≠nos que entram voluntariamente na carreira militar aumenta  de forma constante. 

Din√Ęmica √°rabe-judaica 

Os cidad√£os √°rabes, que constituem mais de um sexto da popula√ß√£o de Israel, existem √†  margem dos mundos conflitantes de judeus e palestinos. No entanto, embora seja um  segmento do povo √°rabe em sua cultura e identidade e questione a identifica√ß√£o de Israel  como Estado judeu, eles veem seu futuro ligado a Israel. No processo, adotaram o hebraico  como segunda l√≠ngua e a cultura israelense como uma camada extra em suas vidas. Ao mesmo

tempo, eles se esfor√ßam para atingir um maior grau de participa√ß√£o na vida nacional, uma  maior integra√ß√£o na economia e mais benef√≠cios para suas pr√≥prias cidades e aldeias. 

O desenvolvimento de rela√ß√Ķes intergrupais entre √°rabes e judeus de Israel √© dificultado por  diferen√ßas profundamente enraizadas na religi√£o, nos valores e nas cren√ßas pol√≠ticas. No  entanto, embora coexistam como duas comunidades segregadas, eles t√™m come√ßado a aceitar  uns aos outros ao longo dos anos, reconhecendo a singularidade e as aspira√ß√Ķes de cada  comunidade.

 

 

LIBERDADE RELIGIOSA 

A Declara√ß√£o do Estabelecimento do Estado de Israel (1948) garante a liberdade religiosa para  todos. Cada comunidade religiosa √© livre, por lei e na pr√°tica, para exercer sua f√©, observar  seus feriados e dia semanal de descanso e para administrar seus assuntos internos. Cada uma  tem seu pr√≥prio conselho religioso e tribunais, reconhecidos por lei e com jurisdi√ß√£o sobre  todas as quest√Ķes religiosas e assuntos de √Ęmbito pessoal, como casamento e div√≥rcio. Cada  um tem seus lugares especiais de culto, com os ritos tradicionais e formas arquitet√īnicas  desenvolvidas ao longo dos s√©culos. 

Sinagoga: O culto judaico ortodoxo tradicional requer um minian (qu√≥rum de 10 homens  adultos). As ora√ß√Ķes acontecem tr√™s vezes ao dia. Homens e mulheres s√£o geralmente  sentados separadamente, e as cabe√ßas s√£o cobertas. Os servi√ßos podem ser conduzidos por  um rabino, cantor, ou congregante. O rabino n√£o √© um sacerdote ou um intermedi√°rio de  Deus, mas um professor. O ponto focal na sinagoga √© a Arca Sagrada, que √© voltada para o  Monte do Templo em Jerusal√©m e cont√©m os rolos da Tor√°. Uma por√ß√£o semanal determinada  √© lida ciclicamente ao longo do ano. Os servi√ßos s√£o particularmente festivos no Shabat  (s√°bado, dia de descanso judaico) e em feriados. 

Mesquita: As ora√ß√Ķes mu√ßulmanas ocorrem cinco vezes ao dia. Homens e mulheres rezam  separadamente. Os sapatos s√£o removidos e uma ablu√ß√£o ritual pode ser realizada. Os  mu√ßulmanos rezam voltados para Meca, na Ar√°bia Saudita, cuja dire√ß√£o √© indicada por um  mihrab (nicho) na parede da mesquita. Os servi√ßos s√£o executados por um im√£, um l√≠der de  ora√ß√£o mu√ßulmano. Na sexta-feira, o tradicional dia de descanso mu√ßulmano, um serm√£o  p√ļblico pode ser pregado. 

Igreja: A forma e frequ√™ncia dos servi√ßos crist√£os variam de acordo com a denomina√ß√£o, mas  todas observam o domingo como dia de descanso, com rituais especiais. Os servi√ßos s√£o  realizados por um padre ou ministro. Homens e mulheres rezam juntos. Os servi√ßos s√£o muitas  vezes acompanhados por m√ļsica e canto coral. Tradicionalmente, as igrejas s√£o em forma de  cruz. 

Lugares sagrados 

Cada local e santu√°rio √© administrado por sua pr√≥pria autoridade religiosa e a liberdade de  acesso e de culto √© garantida por lei. 

Os principais lugares sagrados s√£o: 

Judaicos: O Kotel de Jerusal√©m (Muro das Lamenta√ß√Ķes), √ļltimo remanescente da muralha do  Monte do Templo desde o per√≠odo do Segundo Templo; o T√ļmulo de Raquel, perto de Bel√©m;  o T√ļmulo dos Patriarcas na Caverna da Machpel√°, em Hebron; os t√ļmulos de Maim√īnides  (Rambam) em Tiber√≠ades e do rabino Shimon Bar Yohai em Meron.

Isl√Ęmicos: O complexo de edif√≠cios Haram a-Sharif, no Monte do Templo, incluindo o Domo da  Rocha e a Mesquita de Al-Aksa, em Jerusal√©m; o T√ļmulo dos Patriarcas, em Hebron; a  Mesquita de El-Jazzar, em Akko. 

Crist√£os: A Via Dolorosa, a Sala da √öltima Ceia, a Igreja do Santo Sepulcro e outros locais da  paix√£o e crucifica√ß√£o de Jesus, em Jerusal√©m; a Igreja da Natividade, em Bel√©m; a Igreja da  Anuncia√ß√£o, em Nazar√©; o Monte das Bem-Aventuran√ßas, Tabgha e Cafarnaum, perto do Mar  da Galileia (Lago Kineret). 

Drusos: Nebi Shueib (o t√ļmulo de Jetro, sogro de Mois√©s), perto dos Chifres de Hattin, na  Galileia. 

Baha'i (religi√£o independente fundada na P√©rsia durante o s√©culo XIX): O Centro Mundial  Baha'i, o Santu√°rio do B√°b, em Haifa; o Santu√°rio de Baha'ullah, profeta fundador da f√© Bah√°'i,  perto de Akko.

 

 

SA√öDE E ASSIST√äNCIA SOCIAL 

O alto padr√£o dos servi√ßos de sa√ļde de Israel, seus recursos e pesquisas m√©dicos de alta  qualidade, hospitais modernos e uma propor√ß√£o impressionante de m√©dicos e especialistas na  popula√ß√£o explicam a baixa taxa de mortalidade infantil (4,7 a cada 1.000 partos) e alta  expectativa de vida (82,5 anos para as mulheres e 78,8 para os homens). O atendimento  m√©dico de todos, da inf√Ęncia √† terceira idade, √© garantido por lei e os gastos nacionais com  sa√ļde s√£o favor√°veis, em compara√ß√£o com outros pa√≠ses desenvolvidos. 

Todo Israel √© respons√°vel um pelo outro. (Talmude da Babil√īnia, Shavuot 39a)

 

 

SERVI√áOS DE SA√öDE 

Uma tradi√ß√£o antiga: No s√©culo XIX, doen√ßas como disenteria, mal√°ria, tifo e tracoma eram  comuns na Terra de Israel, uma parte remota e esquecida do Imp√©rio Otomano. Para oferecer  atendimento m√©dico √† popula√ß√£o judaica da Cidade Antiga de Jerusal√©m, algumas cl√≠nicas  estabelecidas por comunidades judaicas europeias ofereciam atendimento gratuito para os  necessitados, tornando-se famosas por sua dedica√ß√£o em circunst√Ęncias dif√≠ceis. Essas cl√≠nicas  cresceram e transformaram-se em hospitais: Bikur Holim (fundado em 1843), Misgav Ladach  (1888), e Shaare Zedek (1902), todos em funcionamento at√© hoje, oferecendo atendimento e  tecnologia avan√ßados. O centro m√©dico universit√°rio Hadassah, em Jerusal√©m, com escolas de  medicina, enfermagem e farm√°cia, al√©m de dois modernos hospitais, tem sua origem em duas  enfermeiras enviadas a Jerusal√©m em 1913 pela Hadassah, Organiza√ß√£o das Mulheres Sionistas  da Am√©rica. 

Imagem cedida pelo Hospital Shaare Zedek 

A base do sistema de sa√ļde, que inclui uma rede de atendimento m√©dico preventivo,  diagn√≥sticos e tratamento, foi criada durante o per√≠odo pr√©-Estado, pela comunidade judaica e  autoridades do Mandato Brit√Ęnico, que administrou o pa√≠s entre 1918 e 1948. 

Assim, quando o Estado de Israel foi criado, uma estrutura m√©dica bem desenvolvida j√° existia,  a imuniza√ß√£o era um procedimento comum e os modelos para a melhoria das condi√ß√Ķes  ambientais estavam em opera√ß√£o. Ainda assim, nos primeiros anos do Estado, a assist√™ncia  m√©dica teve de abordar novamente problemas que j√° haviam sido superados, para lidar com  as necessidades de centenas de milhares de refugiados da Europa p√≥s-guerra e de pa√≠ses  √°rabes. Esse desafio foi superado com um grande esfor√ßo nacional, envolvendo atendimentos  especiais e um plano ambicioso de educa√ß√£o sobre sa√ļde e medicina preventiva. 

A popula√ß√£o do pa√≠s √© atendida por uma rede m√©dica extensa, composta por hospitais, cl√≠nicas  e centros de medicina preventiva e reabilita√ß√£o. O atendimento hospitalar inclui  procedimentos e t√©cnicas avan√ßados, como fertiliza√ß√£o in vitro, resson√Ęncia magn√©tica,  neurocirurgias e transplantes de √≥rg√£os e medula √≥ssea. 

Centros de atendimento m√£e-filho, para mulheres gr√°vidas e crian√ßas rec√©m-nascidas,  oferecem exames pr√©-natais, diagn√≥stico r√°pido de defici√™ncias f√≠sicas e mentais, imuniza√ß√Ķes,  check-ups pedi√°tricos e educa√ß√£o sobre sa√ļde. 

Administra√ß√£o e estrutura 

O Minist√©rio da Sa√ļde √© respons√°vel por todos os servi√ßos de sa√ļde. Ele prepara a legisla√ß√£o e  supervisiona sua implanta√ß√£o, controla os padr√Ķes m√©dicos nacionais, mant√©m os padr√Ķes de  qualidade de alimentos e rem√©dios, emite licen√ßas para profissionais da √°rea, promove a  pesquisa m√©dica, avalia os servi√ßos de sa√ļde e supervisiona o planejamento e a constru√ß√£o de  hospitais. O minist√©rio tamb√©m age como √≥rg√£o de sa√ļde p√ļblica para medicina ambiental e  preventiva.

Profissionais da sa√ļde 

H√° aproximadamente 32.000 m√©dicos, 9.000 dentistas e 6.000 farmac√™uticos em Israel,  trabalhando em equipes de hospitais e cl√≠nicas, al√©m de consult√≥rios particulares. Cerca de  72% dos 54.000 enfermeiros do pa√≠s s√£o registrados, enquanto o restante trabalha como  auxiliar de enfermagem. 

O treinamento para as profiss√Ķes m√©dicas √© oferecido por quatro escolas de medicina, duas  escolas de odontologia, duas de farm√°cia e 15 escolas de enfermagem, das quais sete  oferecem diplomas acad√™micos. Os cursos de fisioterapia, terapia ocupacional e nutri√ß√£o, al√©m  de cursos t√©cnicos em radiologia e exames laboratoriais, s√£o ofertados por v√°rias institui√ß√Ķes. 

Magen David Adom, o servi√ßo de emerg√™ncias m√©dicas de Israel, oferece uma rede de  prontos-socorros, um programa nacional de doa√ß√£o de sangue, bancos de sangue, cursos de  primeiros-socorros e um servi√ßo p√ļblico de ambul√Ęncias, incluindo UTIs m√≥veis. A organiza√ß√£o  conta com o apoio de 10.000 volunt√°rios, incluindo v√°rios alunos do ensino m√©dio,  trabalhando em 109 postos em todo o pa√≠s. 

Seguro-sa√ļde 

A Lei Nacional dos Seguros oferece uma cesta b√°sica de servi√ßos m√©dicos, incluindo interna√ß√£o  hospitalar, para todos os residentes de Israel. Os servi√ßos m√©dicos s√£o oferecidos atrav√©s de  quatro esquemas de seguro-sa√ļde do pa√≠s, obrigados a aceitar segurados sem restri√ß√£o por  idade ou estado de sa√ļde. 

As principais fontes de financiamento s√£o o imposto mensal do seguro-sa√ļde, de at√© 4,8% da  renda, cobrado pelo Instituto Nacional de Seguros, e a participa√ß√£o das empresas nos custos  do seguro de seus funcion√°rios. Os esquemas de seguro s√£o reembolsados de acordo com a  m√©dia ponderada do n√ļmero de participantes, calculados por idade, dist√Ęncia entre a  resid√™ncia e as instala√ß√Ķes m√©dicas e outros crit√©rios determinados pelo Minist√©rio da Sa√ļde. 

TURISMO M√ČDICO: Israel tornou-se um destino popular para pacientes de todo o mundo com  doen√ßas cr√īnicas como reumatismo, psor√≠ase e asma. Muitos recebem tratamentos especiais  nas √°guas termais de Tiber√≠ades, nas √°guas minerais do Mar Morto ou no clima seco de Arad,  cidade moderna no deserto de Negev. 

Problemas de sa√ļde 

Os problemas de sa√ļde comuns em Israel s√£o semelhantes aos do mundo ocidental. Como  doen√ßas card√≠acas e o c√Ęncer s√£o respons√°veis por dois ter√ßos das mortes, o estudo dessas  doen√ßas √© uma prioridade nacional. Outras preocupa√ß√Ķes s√£o o atendimento geri√°trico, os  problemas criados pelas mudan√ßas ambientais e as condi√ß√Ķes criadas pela vida moderna, al√©m 

de acidentes de tr√Ęnsito e do trabalho. Programas de educa√ß√£o sobre sa√ļde s√£o amplamente  divulgados para informar a popula√ß√£o sobre o perigo do fumo e da obesidade, al√©m da falta de  exerc√≠cios, que trazem preju√≠zos √† sa√ļde. Tamb√©m h√° campanhas frequentes para  conscientizar trabalhadores e motoristas sobre riscos potenciais.

 

 

PESQUISA M√ČDICA 

Imagem cedida pelo Hospital Shaare Zedek 

A boa infraestrutura de pesquisa m√©dica e param√©dica de Israel e sua capacidade de  bioengenharia possibilitam uma s√©rie de investiga√ß√Ķes m√©dicas. 

As pesquisas s√£o realizadas pelas escolas de medicina e por v√°rias institui√ß√Ķes e laborat√≥rios  do governo, al√©m dos departamentos de P&D de empresas dos setores farmac√™utico, de  bioengenharia, de alimentos e de equipamentos m√©dicos. As instala√ß√Ķes de alto n√≠vel do pa√≠s  s√£o reconhecidas em todo o mundo, mantendo-se contato regular com as principais escolas de  medicina e centros de pesquisa cient√≠fica do exterior. Israel costuma receber confer√™ncias  internacionais sobre diversos assuntos m√©dicos. 

Tecnologia m√©dica 

A tecnologia sofisticada √© parte essencial dos procedimentos atuais de diagn√≥stico e  tratamento. Uma grande coopera√ß√£o entre as institui√ß√Ķes de pesquisa e as ind√ļstrias levou a  grandes progressos no desenvolvimento de equipamentos m√©dicos especializados. S√£o  exportados para todo o mundo, entre outros, tom√≥grafos e aparelhos computadorizados  israelenses, essenciais para um diagn√≥stico e tratamento eficaz em situa√ß√Ķes cr√≠ticas. Israel foi  pioneiro no desenvolvimento e uso de instrumentos cir√ļrgicos a laser, al√©m de diversos  equipamentos m√©dicos eletr√īnicos, incluindo sistemas de monitoramento computadorizado e  outros aparelhos que salvam vidas e aliviam a dor.